Japão e Coreia do Sul buscam amenizar o impacto das tarifas antes do prazo final

Países estão se concentrando na nova janela de três semanas para pressionar por uma solução

Reuters

Uma tela transmitindo imagens ao vivo no Japão mostra o presidente dos EUA, Donald Trump, gesticulando enquanto assina ordens executivas - 21/01/2025 (Foto:  REUTERS/Issei Kato)
Uma tela transmitindo imagens ao vivo no Japão mostra o presidente dos EUA, Donald Trump, gesticulando enquanto assina ordens executivas - 21/01/2025 (Foto: REUTERS/Issei Kato)

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WASHINGTON/TÓQUIO (Reuters) – Japão e Coreia do Sul afirmaram nesta terça-feira que tentarão negociar com os Estados Unidos para amenizar o impacto das tarifas mais altas que o presidente Donald Trump planeja impor a partir do início de agosto.

Trump intensificou sua guerra comercial novamente na segunda-feira, dizendo a 14 nações que elas enfrentarão tarifas que variam de 25% para países como Japão e Coreia do Sul a 40% para Laos e Mianmar.

No entanto, com o adiamento da data de início para 1º de agosto, esses países estão se concentrando na nova janela de três semanas para pressionar por uma solução.
O Japão quer concessões para sua grande indústria automobilística, disse o principal negociador comercial, Ryosei Akazawa, nesta terça-feira.

Akazawa disse que teve um telefonema de 40 minutos com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, na qual os dois concordaram em continuar ativamente as negociações. No entanto, ele disse que não sacrificará o setor agrícola do Japão – um poderoso lobby político no país – em prol de um acordo antecipado.

A Coreia do Sul disse que planeja intensificar as negociações comerciais nas próximas semanas “para chegar a um resultado mutuamente benéfico”.

Questionado se o último prazo é firme, Trump respondeu na segunda-feira: “Eu diria que é firme, mas não 100% firme. Se eles ligarem e disserem que gostariam de fazer algo de uma maneira diferente, estaremos abertos a isso”.

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UNIÃO EUROPEIA BUSCA ACORDO

A União Europeia, maior parceiro comercial bilateral dos EUA, pretende chegar a um acordo antes de 1º de agosto, com negociações focadas no “reequilíbrio” e em concessões para determinados setores importantes de exportação, disse uma fonte europeia familiarizada com as negociações.

Algumas fontes da UE disseram no final da segunda-feira que o bloco estava próximo de um acordo com o governo Trump.

Isso poderia envolver concessões limitadas às tarifas básicas dos EUA de 10% para aeronaves e peças, alguns equipamentos médicos e bebidas alcoólicas.

Apenas dois acordos foram fechados até o momento, com o Reino Unido e o Vietnã.

Washington e Pequim concordaram com uma estrutura comercial em junho mas, como muitos detalhes ainda não estão claros, operadores e investidores estão atentos para ver se ela se desfaz ou leva a uma trégua duradoura.

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As táticas comerciais de Trump estão dificultando o planejamento de países e empresas com alguma certeza, disse o diretor executivo da agência de comércio das Nações Unidas nesta terça-feira.

“Essa medida, na verdade, amplia o período de incerteza, minando os investimentos de longo prazo e os contratos comerciais e criando mais incerteza e instabilidade”, disse Pamela Coke-Hamilton, diretora executiva do Centro de Comércio Internacional, a repórteres em Genebra.

Trump disse que os Estados Unidos vão impor tarifas de 25% sobre os produtos da Tunísia, Malásia e Cazaquistão, com taxas de 30% sobre a África do Sul, Bósnia e Herzegovina, subindo para 32% sobre a Indonésia, 35% sobre a Sérvia e Bangladesh, 36% sobre o Camboja e Tailândia e 40% sobre Laos e Mianmar.