Irã volta a bloquear Estreito de Ormuz e eleva tensão com EUA

Medida anunciada após fala de Donald Trump reacende risco para oferta global de petróleo e pressiona negociações nucleares

Estadão Conteúdo

Navio no Estreito de Ormuz na costa de Omã
12 de abril de 2026 REUTERS
Navio no Estreito de Ormuz na costa de Omã 12 de abril de 2026 REUTERS

Publicidade

O Irã voltou a bloquear o Estreito de Ormuz, anunciou a Guarda Revolucionária neste sábado, 18. A declaração foi feita após a fala do presidente Donald Trump de que o bloqueio americano aos portos iranianos “permanecerá em pleno vigor” até que Teerã chegue a um acordo com os Estados Unidos, inclusive sobre seu programa nuclear.

“O controle do Estreito de Ormuz voltou ao seu estado anterior… sob a gestão e o controle rigorosos das forças armadas”, informou a Guarda Revolucionária, acrescentando que continuaria a bloquear o Estreito enquanto o bloqueio dos EUA aos portos iranianos permanecesse em vigor.

A disputa em torno do estreito ameaça agravar a crise energética global. Na sexta-feira, os preços do petróleo haviam recuado, impulsionados pela expectativa de um possível acordo entre os dois países. Cerca de um quinto do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz, e novas restrições podem reduzir ainda mais a oferta, pressionando novamente os preços.

O controle da via se consolidou como um dos principais instrumentos de pressão do Irã e levou os Estados Unidos a enviarem forças militares e a iniciarem um bloqueio aos portos iranianos. A medida faz parte de uma tentativa de forçar o país a aceitar um cessar-fogo mediado pelo Paquistão para encerrar quase sete semanas de conflito envolvendo Israel, EUA e Irã.

O Irã havia anunciado a reabertura total do estreito para embarcações comerciais após a trégua de 10 dias entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado por Teerã, no Líbano. No entanto, após a declaração de Trump sobre a continuidade do bloqueio, autoridades iranianas afirmaram que a posição dos EUA viola o acordo de cessar-fogo firmado na semana passada e alertaram que a rota não permaneceria aberta nessas condições.

A empresa de análise de dados Kpler informou que o tráfego na região segue restrito a corredores que dependem de autorização do governo iraniano. Desde o início do bloqueio, na segunda-feira, 13, forças americanas já obrigaram 21 navios a retornarem, segundo o Comando Central dos EUA.

Continua depois da publicidade

Cessar-fogo no Líbano pode influenciar negociações entre EUA e Irã

A trégua no Líbano pode contribuir para avanços nas negociações entre Washington e Teerã. Ainda assim, não está claro até que ponto o Hezbollah cumprirá o acordo, já que o grupo não participou diretamente das negociações e o entendimento prevê a permanência de tropas israelenses em uma faixa do sul do país.

Em outra publicação, Trump afirmou que Israel está “proibido” de realizar novos ataques ao Líbano e que “já basta” em relação ao conflito com o Hezbollah. O Departamento de Estado americano esclareceu que a restrição se aplica apenas a ações ofensivas, não incluindo situações de autodefesa.

Pouco antes da declaração de Trump, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse que o país aceitou o cessar-fogo “a pedido do meu amigo, o presidente Trump”, mas afirmou que a campanha contra o Hezbollah ainda não foi concluída. Segundo ele, cerca de 90% do arsenal de mísseis e foguetes do grupo já foi destruído, mas as operações seguem em andamento.

Em Beirute, famílias deslocadas começaram a retornar ao sul do Líbano e aos subúrbios da capital, apesar dos alertas das autoridades para que aguardassem a consolidação do cessar-fogo.

O Exército libanês e forças de paz da ONU relataram bombardeios esporádicos em áreas do sul do país nas horas seguintes ao início da trégua.

O fim do conflito entre Israel e o Hezbollah era uma das principais exigências do Irã nas negociações. Teerã havia acusado Israel de violar o cessar-fogo anterior com ataques ao Líbano, enquanto o governo israelense sustentava que o acordo não incluía o território libanês.

Continua depois da publicidade

Os combates deixaram ao menos 3.000 mortos no Irã, mais de 2.290 no Líbano, 23 em Israel e mais de uma dezena nos países árabes do Golfo. Treze militares americanos também morreram.

O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou nesta sexta-feira, 17, que um acordo entre EUA e Irã está “muito próximo” e que diplomatas paquistaneses estão trabalhando para “superar” as divergências entre os EUA e o Irã.

(Com agências internacionais)