Irã troca mísseis por enxames de drones e inaugura nova fase da guerra no Golfo

Dependente de drones mais baratos e numerosos, Teerã altera o equilíbrio econômico da defesa aérea no Golfo, testa os limites dos aliados dos EUA e preserva seu arsenal de mísseis para futuros confrontos

Bloomberg

Fogo e fumaça se elevam na zona industrial de petróleo de Fujairah, provocados por destroços após a interceptação de um drone pelas defesas aéreas, segundo o escritório de mídia de Fujairah, em meio ao conflito entre Estados Unidos e Israel com o Irã, em Fujairah, Emirados Árabes Unidos, em 4 de março de 2026. REUTERS/Amr Alfiky
Fogo e fumaça se elevam na zona industrial de petróleo de Fujairah, provocados por destroços após a interceptação de um drone pelas defesas aéreas, segundo o escritório de mídia de Fujairah, em meio ao conflito entre Estados Unidos e Israel com o Irã, em Fujairah, Emirados Árabes Unidos, em 4 de março de 2026. REUTERS/Amr Alfiky

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O Irã está recorrendo cada vez mais a drones, em vez de mísseis, para atacar países do Golfo à medida que a guerra no Oriente Médio se prolonga.

Dados dos ministérios da Defesa dos Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein mostram que a imensa maioria dos projéteis disparados contra esses países nos últimos dias tem sido de drones, mais frequentemente do tipo Shahed, de fabricação iraniana.

O número de lançamentos de mísseis de cruzeiro e balísticos caiu drasticamente — de centenas no início da guerra para apenas três contra os Emirados Árabes Unidos em 4 de março. As defesas aéreas em toda a região interceptaram a maior parte das ameaças.

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Os Emirados Árabes Unidos, um importante aliado dos Estados Unidos, interceptaram mais projéteis iranianos do que seus vizinhos — Kuwait, Bahrein, Catar e Arábia Saudita.

Em geral, os drones carregam cargas explosivas menores do que os mísseis e tendem a causar menos destruição, embora ainda possam provocar danos significativos dependendo do alvo. Seu custo mais baixo e o fato de poderem ser lançados facilmente em grande número fazem deles um desafio persistente para os sistemas de defesa aérea.

A continuidade da dependência de drones pode refletir vários fatores. Os Estados Unidos e Israel têm atacado estoques de mísseis e locais de lançamento desde que iniciaram sua ofensiva contra o Irã em 28 de fevereiro, o que pode ter limitado a capacidade de Teerã de realizar bombardeios prolongados. A República Islâmica também pode estar poupando armas mais avançadas, enquanto mantém pressão sobre os interesses americanos na região.

Os drones criam um desequilíbrio econômico na defesa aérea: são muito mais baratos do que os interceptadores usados para abatê-los. O Irã possui ampla capacidade de produção de drones e, segundo avaliações amplamente difundidas, continua a fabricá-los mesmo durante a guerra.

Dados do governo do Bahrein também ilustram a mudança tática iraniana. O reino afirmou que suas defesas aéreas interceptaram mais drones do que mísseis, com ondas de ataques cada vez mais dominadas por aeronaves não tripuladas nos últimos dias.

© 2026 Bloomberg L.P.

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