Irã nunca cederá controle de Ormuz, diz político veterano iraniano

Ebrahim Azizi, ex-comandante do IRGC e chefe do Comitê de Segurança Nacional do parlamento, disse à BBC que projeto de lei está em elaboração para institucionalizar o controle iraniano sobre a passagem

Equipe InfoMoney

Um mapa mostrando o Estreito de Ormuz e o Irã é visto nesta ilustração tirada em 22 de junho de 2025. REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração
Um mapa mostrando o Estreito de Ormuz e o Irã é visto nesta ilustração tirada em 22 de junho de 2025. REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração

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O Irã jamais abrirá mão do controle sobre o Estreito de Ormuz, afirmou o parlamentar sênior Ebrahim Azizi, ex-comandante da Guarda Revolucionária Islâmica e presidente do Comitê de Segurança Nacional e Política Externa do parlamento iraniano, em entrevista à BBC. A declaração contraria diretamente as expectativas americanas de que a reabertura do estreito seja permanente como parte de um acordo de paz.

“Jamais. É nosso direito inalienável”, disse Azizi ao veículo britânico. “O Irã decidirá o direito de passagem, incluindo as permissões para embarcações transitarem pelo estreito.”

O parlamentar revelou ainda que um projeto de lei está sendo preparado para institucionalizar esse controle. “Estamos introduzindo um projeto no parlamento, com base no artigo 110 da constituição, que inclui meio ambiente, segurança marítima e segurança nacional, e as forças armadas implementarão a lei”, disse.

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Azizi descreveu o controle sobre Ormuz como “um de nossos ativos para enfrentar o inimigo”, sinalizando que Teerã não vê a questão apenas como carta de negociação no conflito atual, mas como instrumento de poder de longo prazo.

A posição iraniana colide frontalmente com a dos Emirados Árabes Unidos, país que foi o mais atingido pelos ataques iranianos durante as cinco semanas de guerra. O conselheiro diplomático do presidente dos EAU, Anwar Gargash, classificou o controle iraniano sobre o estreito como “um ato de pirataria hostil” e alertou que, caso o Irã se recuse a abrir mão dessa posição, isso criará “um precedente perigoso” para outras rotas marítimas estratégicas no mundo.

Azizi respondeu às críticas de forma direta, acusando os países do Golfo de ter “vendido a região aos americanos” e chamando os EUA de “o maior pirata do mundo”. Sobre as acusações de que Teerã tenta “chantagear” Washington, o parlamentar disse não esperar nada de alguém que “distorce a verdade”.

A declaração ganha peso pelo perfil de Azizi: ele representa uma ala endurecida que ganhou ainda mais influência no parlamento iraniano após uma série de assassinatos de figuras de alto escalão em ataques israelenses.

O Irã declarou o estreito “completamente aberto” ao tráfego comercial nesta sexta-feira (17), durante o cessar-fogo em vigor. Trump confirmou a reabertura, mas manteve o bloqueio naval americano aos portos iranianos. No fim de semana, os EUA disseram ter tomado uma embarcação com bandeira iraniana em Ormuz, e o Irã prometeu retaliação. O cessar-fogo entre os países termina na próxima quarta-feira (22).