Irã insiste em manter controle sobre Ormuz, dizem fontes iranianas de alto escalão

Teerã busca o reconhecimento de sua autoridade sobre a via marítima após o fim do tratado provisório de 60 dias, contrariando a posição do governo Trump e gerando o risco de novos custos ao comércio global

Reuters

Navio no Estreito de Ormuz na costa de Omã
12 de abril de 2026 REUTERS
Navio no Estreito de Ormuz na costa de Omã 12 de abril de 2026 REUTERS

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DUBAI/LONDRES, 1 Jul (Reuters) – O Irã está ⁠determinado a obter o reconhecimento internacional de seu controle sobre o ‌Estreito de Ormuz e de sua capacidade de cobrar taxas dos navios que entram ou saem do Golfo Pérsico, mesmo que tenha de ‌recorrer à força para isso, afirmaram duas fontes iranianas de alto escalão.

Nos termos do acordo provisório firmado este mês com os Estados Unidos para pôr fim ao conflito de três meses, o Irã concordou em permitir a passagem de navios pelo Estreito por 60 dias sem cobrança de taxas. ⁠No ‌entanto, o país acredita que a redação do acordo lhe permite ⁠manter o controle sobre quais navios podem passar e qual rota devem seguir pela estreita via navegável.

O país também está determinado a garantir a aceitação formal e duradoura desse controle assim que a fase provisória expirar, e seus negociadores não passarão a tratar de outras ​áreas de disputa nas negociações de paz em andamento com Washington até que isso seja acordado, afirmaram as fontes.

Se o acordo provisório ​terminar sem ser prorrogado, o Irã começaria a cobrar das embarcações pela passagem em meados de agosto, embora ainda não tenha apresentado nenhuma lista das taxas que cobrará nem como fará isso. O Irã fechou o Estreito quando a guerra começou, e autoridades iranianas afirmaram que ‌as autoridades cobraram de algumas embarcações taxas de ​navegação ou outras taxas para que pudessem deixar o Golfo Pérsico.

Qualquer controle iraniano duradouro sobre o Estreito de Ormuz, com formalidades e taxas para os navios, acrescentaria custos, atrasos e ⁠riscos a todo o ​tráfego marítimo por ​uma via navegável que, antes da guerra, transportava um quinto do abastecimento global de energia, além ⁠de outros bens essenciais.

A passagem pelo ​Estreito nunca esteve sujeita a taxas anteriormente, e a posição de Teerã vai diretamente contra as interpretações dos EUA sobre o Memorando de Entendimento provisório acordado em ​17 de junho, bem como contra a postura de Washington sobre quais serão os acordos definitivos pós-guerra.

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O presidente dos EUA, Donald ​Trump, afirmou na semana ⁠passada que não haveria cobrança de pedágios pela passagem pelo Estreito, a menos que Washington decidisse ⁠impô-los por conta própria. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou durante uma reunião com os países do Golfo Pérsico que nenhum país tem o direito de bloquear o tráfego marítimo ou impor taxas ou pedágios pela passagem por uma via navegável internacional.

(Reportagem de Parisa Hafezi e Jonathan ​Saul)