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O Irã passou a reforçar seu controle sobre o Estreito de Ormuz ao afirmar que navios só poderão cruzar a região com sua autorização e ao indicar que poderá cobrar taxas no futuro, sob a forma de “seguro” para a travessia.
Todas as embarcações que passarem pelo estreito terão de contratar uma apólice obrigatória, que por enquanto é gratuita, mas poderá ser cobrada adiante, segundo documento publicado no site da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA, na sigla em inglês). O texto também diz que os navios devem seguir uma rota específica, próxima à costa iraniana, e proíbe caminhos alternativos.
Nos últimos dias, forças navais ocidentais recomendaram que navios usem uma rota pela costa de Omã, mas indicaram que outras opções também continuam disponíveis — um sinal de que corredores paralelos podem ser abertos enquanto uma área no meio de Ormuz é desminada. Um grande volume de petróleo deixou o estreito nas horas seguintes à assinatura, nesta semana, do acordo interino de paz entre EUA e Irã. Mas o tráfego visível perdeu força até sexta-feira, e a Marinha do Paquistão informou ter identificado uma mina perto da costa de Omã, elevando o risco do trajeto fora da área controlada pelo Irã.
Armadores e produtores vêm demonstrando preocupação crescente com a possibilidade de o Irã passar a cobrar pedágio pela travessia. Isso porque o memorando de entendimento assinado com os EUA diz apenas que a passagem será gratuita durante os 60 dias de vigência do acordo. O setor também busca orientações sobre como funcionarão as travessias por Ormuz após o acerto de paz e de que maneira a região será limpa de minas.
Aliados dos EUA, liderados pelo Reino Unido, pressionam o governo Donald Trump para que não aceite nem normalize uma eventual cobrança iraniana para a passagem pelo estreito, segundo uma autoridade graduada. O setor alerta que a imposição de taxas contrariaria o direito marítimo internacional e abriria um precedente perigoso, que poderia ser replicado em outras rotas estratégicas do mundo.

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“As 25 travessias totais também são mais de cinco vezes a média diária registrada nos primeiros dez dias de junho”, destacou a AXSMarine

Irã afirma que isentará taxas em Ormuz durante período de negociação de 60 dias
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“No momento, esse seguro é fornecido gratuitamente ao proprietário da embarcação, com todos os custos cobertos pela República Islâmica do Irã”, diz o documento iraniano. “A PGSA se reserva o direito de introduzir taxas de seguro no futuro, que serão definidas pela seguradora responsável. Os proprietários passarão então a ser obrigados a contratar e renovar a cobertura de acordo com essas condições.”
Os fluxos visíveis de petróleo pela hidrovia desaceleraram com força na sexta-feira. Embora um superpetroleiro tenha aparecido perto de Mascate, em Omã, indicando que havia deixado o Golfo Pérsico, não houve outros embarques detectáveis pelos transponders das embarcações. Ainda assim, milhões de barris vêm saindo nas últimas semanas pela rota ao sul, perto de Omã, muitas vezes com os transponders desligados — o que sugere que o volume real transportado pode ser maior do que o visível neste momento.
Desde o acordo de paz, o Irã conseguiu movimentar milhões de barris que estavam sob bloqueio dos EUA em um porto localizado logo fora do Golfo Pérsico. Petroleiros com capacidade para transportar ao menos 20 milhões de barris foram vistos deixando nesta semana o porto iraniano de Chabahar, no Golfo de Omã. Antes do bloqueio americano, os embarques de Teerã já haviam sido praticamente interrompidos.
Riscos em Ormuz
A PGSA foi criada pelo Irã durante a guerra, mas desde então foi sancionada pelos Estados Unidos. Países vizinhos rejeitam a legitimidade do órgão e orientaram armadores a não manter contato com a entidade.
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O documento deve fazer pouco para acalmar donos de embarcações, que já vinham cobrando mais clareza sobre o tráfego no estreito. A demanda por contratação de petroleiros para carregar petróleo em portos do Golfo Pérsico foi muito limitada, disseram na sexta-feira corretores marítimos e proprietários de navios — um passo necessário para viabilizar embarques a partir dos terminais de exportação.
Segundo o texto, os navios precisam solicitar à PGSA uma autorização de passagem. O órgão também publicou um mapa com as rotas que o Irã considera seguras.
Na quinta-feira, forças navais ocidentais divulgaram as coordenadas da rota que recomendam para a travessia de Ormuz. Na ocasião, disseram também que mapas com as posições mais recentes conhecidas das minas podem ser fornecidos mediante solicitação.
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