Irã afirma ter contido protestos, apesar da continuidade dos confrontos

Regime promove atos pró-governo em meio a centenas de mortos e acusa EUA e Israel de interferência nos confrontos

Bloomberg

Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, participa de reunião com o presidente russo Vladimir Putin no Kremlin, em Moscou, Rússia, 23 de junho de 2025. Sputnik/Sergei Karpukhin/Pool via REUTERS
Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, participa de reunião com o presidente russo Vladimir Putin no Kremlin, em Moscou, Rússia, 23 de junho de 2025. Sputnik/Sergei Karpukhin/Pool via REUTERS

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(Bloomberg) – O ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que as forças de segurança têm “controle total” do país após duas semanas de violentos protestos, enquanto o governo promoveu manifestações em apoio ao regime e contra os que pedem o fim da República Islâmica.

A declaração de Abbas Araghchi, feita na segunda-feira, ainda não foi totalmente comprovada, já que os protestos mais intensos (nos quais centenas de pessoas teriam sido mortas) ocorrem principalmente à noite.

Enquanto isso, vídeos divulgados nas redes sociais mostravam supostos funerais de manifestantes, com participantes gritando “morte a Khamenei”, em referência ao líder supremo do país. A Bloomberg não pôde verificar as imagens de forma independente.

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A TV estatal exibiu cenas de comícios pró-regime em várias cidades, afirmando que foram organizados para promover “a unidade nacional” e condenar os recentes “atos terroristas”.

Os protestos no Irã começaram em 28 de dezembro, após o colapso repentino do valor da moeda local. As manifestações se transformaram no maior e mais violento desafio ao regime do aiatolá Ali Khamenei e à República Islâmica desde a revolução de 1979, que derrubou o monarca pró-EUA.

De acordo com a Human Rights Activist News Agency, que monitora as manifestações em 186 cidades das 31 províncias do país, mais de 540 pessoas foram mortas e mais de 10 mil foram presas.

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O preço do petróleo subiu diante do temor de impactos sobre o fornecimento iraniano. O Brent era negociado próximo de US$ 63 por barril na segunda-feira, após alta de quase 6% entre quinta e sexta-feira.

Araghchi reiterou a versão oficial de que “vândalos e terroristas” mataram policiais e civis e destruíram propriedades públicas com “violência ao estilo do Daesh”, sigla árabe para o Estado Islâmico.

“Temos muitas evidências de interferência dos EUA e de Israel nesta guerra terrorista”, disse o ministro à TV estatal, acrescentando que “Israel é diretamente responsável, assim como os americanos, que incentivam a violência por meio de suas declarações”.

O acesso à internet e a outros meios de comunicação continua amplamente bloqueado, o que dificulta acompanhar a real dimensão do movimento. Araghchi afirmou que o acesso deve ser restabelecido “muito em breve”.

Opções dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo que Washington está avaliando possíveis medidas em resposta aos relatos de repressão violenta no Irã, mas acrescentou que a liderança iraniana teria procurado abrir um canal de diálogo.

“Estamos analisando a situação com muita seriedade. As forças armadas estão estudando e estamos considerando algumas opções muito fortes”, disse Trump a jornalistas a bordo do Air Force One, ao retornar de sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida. “Vamos tomar uma decisão.”

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Araghchi declarou que o Irã está “pronto para negociações baseadas no respeito mútuo, nos interesses nacionais e em conversas sérias e reais”, sem dar mais detalhes.

Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, o ministro mantém canais de comunicação abertos com o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e “mensagens são trocadas sempre que necessário”.

Ainda não há um número oficial de civis mortos divulgado pelo governo. A agência semi-oficial Tasnim publicou no domingo um balanço parcial de vítimas entre as forças de segurança: 121 agentes mortos, sendo 30 em Isfahan. O número para Teerã não foi informado.

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