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Luigi Mangione se declarou culpado das acusações federais de perseguição e assédio relacionadas ao assassinato de Brian Thompson, executivo da UnitedHealth Group Inc., em um caso que, para muitos, simbolizou a revolta contra o sistema de saúde dos Estados Unidos.
Mangione, de 28 anos, admitiu ter atirado em Thompson em dezembro de 2024, do lado de fora de uma conferência para investidores em um hotel na região central de Manhattan. Ele não fechou acordo com os promotores e pode ser condenado à prisão perpétua.
“Na manhã de 4 de dezembro de 2024, atirei no sr. Thompson em Manhattan e ele morreu”, afirmou Mangione em um tribunal federal de Nova York nesta sexta-feira. “Quando fiz isso, sabia que minhas ações o colocariam sob ameaça de morte ou de lesão corporal. Eu sabia que o que estava fazendo era ilegal.”
A declaração de culpa representa a primeira admissão formal de responsabilidade por parte de Mangione, que fugiu de Manhattan após o crime, desencadeando uma intensa caçada policial que terminou cinco dias depois, quando foi preso em uma unidade do McDonald’s na região central da Pensilvânia. Até agora, ele havia mantido uma postura desafiadora e continuava recebendo apoio de milhares de seguidores online e de pessoas que compareciam às suas audiências.
Mangione foi levado ao tribunal vestindo uniforme bege de presidiário, com as mãos algemadas para trás. Durante a audiência, que durou cerca de 30 minutos, ele foi questionado sobre suas ações.
Lendo uma declaração preparada, afirmou que, “após anos suportando dores severas causadas por uma lesão na coluna e enfrentando obstáculos do sistema de saúde”, soube que a UnitedHealth realizaria sua conferência anual de investidores em Nova York, em dezembro de 2024, com a presença de executivos da companhia. Thompson, de 50 anos, era diretor-presidente da UnitedHealthcare, divisão de seguros da UnitedHealth Group.
Mangione disse que viajou de outro estado para Manhattan com a intenção de matar Thompson, portando uma arma produzida em impressora 3D equipada com silenciador.
Ele também contou ao tribunal que enviou um e-mail aos dirigentes da empresa se passando por um investidor de uma gestora com mais de US$ 50 bilhões em ativos, solicitando informações sobre a conferência. Segundo ele, a resposta chegou em menos de uma hora. A UnitedHealth não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Os promotores afirmaram nesta sexta-feira que encontraram material genético no local do crime compatível com o DNA de Mangione, além de impressões digitais dele em objetos encontrados nas proximidades. As autoridades já haviam informado anteriormente que reuniram um vasto conjunto de evidências contra o acusado, incluindo a arma usada no crime e um caderno com anotações detalhando seu desejo de matar um executivo do setor de saúde.
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Processo estadual
Mangione também será julgado no próximo mês em um tribunal do Estado de Nova York, onde responde por acusação de homicídio em segundo grau e outros crimes. Se condenado, poderá pegar de 25 anos de prisão à prisão perpétua.
Os advogados dele devem pedir o arquivamento do processo estadual, argumentando que a legislação de Nova York proíbe que uma pessoa seja julgada duas vezes pelo mesmo crime, mesmo quando as acusações são formalmente diferentes.
A juíza federal Margaret Garnett, que presidiu a audiência desta sexta-feira, afirmou que qualquer pena aplicada no processo federal poderá ser somada à que eventualmente for determinada pela Justiça estadual. Ela marcou a sentença para 18 de dezembro.
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Formado pela Universidade da Pensilvânia e ex-engenheiro de dados, Mangione havia se declarado inocente inicialmente em ambos os processos.
Familiares de Brian Thompson acompanharam a audiência. Uma mulher começou a chorar quando Mangione entrou na sala do tribunal. Outro parente tentou confortá-la e disse: “Você consegue.”
“Hoje, a declaração de culpa representa um passo importante em direção à Justiça para Brian e para nossa família”, afirmou a família Thompson em comunicado. “Embora nada alivie a dor de tê-lo perdido, somos gratos por o sistema federal de Justiça ter responsabilizado a pessoa responsável por esse ato hediondo. Agora esperamos que o tribunal aplique uma pena compatível com a gravidade desse crime.”
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