Publicidade
A sessão de juramentos dos deputados eleitoras na Argentina na tarde desta quarta-feira transformou o plenário da Câmara numa arquibancada de futebol. Políticos de esquerda e direita, especialmente os ligados ao partido governista A Liberdade Avança, trocaram insultos, vaias e palavras de ordem. Tudo isso assistido pelo presidente Javier Milei, que chegou a ficar de pé e cantar junto com seus aliados em alguns momentos.
Logo após a execução do hino argentino, surgiram alguns gritos de esquerdistas, como “A Pátria Não se Vende”, numa clara alusão ao programa de privatizações defendido por Milei e à ajuda financeira bilionária providenciada pelos Estados Unidos.
Em réplica, os deputados governistas passaram a gritar: “Presidente, presidente” e “liberdade, liberdade”. Na sequência, num coro que teve a participação do próprio Milei, foi cantado: “A casta tem medo”, um slogan que o presidente tem repetido desde a campanha eleitoral de 2023.
Continua depois da publicidade
Leia também: Partido de Milei vence legislativas com 40,8% e consolida poder no Congresso
Néstor Pitrola, dirigente do Partido Obrero, clamou por mundo socialista e prometeu derrota a reforma trabalhista que o oficialismo tentará aprovar nessa legislatura. E reprovou “todo o pacote repressivo de Milei e do FMI”. E aproveitou para pedir um “fora Trump da Argentina” e uma Palestina livre.
O local de juramento virou palco para demonstrações de como a política argentina está dividida. A kirchnerista Lucía Cámpora apareceu vestida com um camiseta preta com a inscrição “Libertem Cristina” e repetiu a afirmação no ato oficial, lembrando ainda a memória de Néstor Kirchner.
A governista Virginia Gallardo, ex-dançarina e colunista de televisão, apareceu com sua filha e defendeu “a família, as infâncias e um futuro melhor para todos”.
Martín Menem, de La Rioja, foi ratificado como presidente da Câmara dos Deputados e fez muitas críticas ao peronismo. “Este foi o primeiro governo [o de Javier Milei] democraticamente eleito ao qual decretos de necessidade e urgência foram rejeitados”, disse ao lembrar as derrotas na última legislatura.
“Sofreu interpelações na delegacia que não ocorriam desde 1996, e teve um evento sem precedentes, como duas comissões investigativas operando simultaneamente e orquestradas por aqueles que fizeram parte do projeto político com o maior número de casos de corrupção na história.”