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Governos árabes avaliam que a tensão entre Estados Unidos e Irã perdeu força nos últimos dias, depois de uma ofensiva diplomática para convencer Washington a não partir para um ataque militar contra Teerã. As informações são do jornal Financial Times.
Segundo fontes próximas a países da região, como Arábia Saudita, Turquia, Catar, Omã e Egito, a mensagem passada à equipe de Donald Trump foi direta: uma ofensiva americana poderia ter impactos graves sobre os vizinhos do Irã — do salto nos preços globais de petróleo e gás ao risco de desestabilização política na região.

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De acordo com um desses interlocutores ouvidos pelo FT, “as coisas deram uma desescalada, por enquanto”, com os EUA abrindo espaço para conversas com Teerã e aguardando para ver até onde esse canal pode avançar.
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Linhas de comunicação entre Washington e a República Islâmica — possivelmente com ajuda de terceiros, como Rússia ou Omã — permitiram que autoridades iranianas dessem garantias à Casa Branca de que a repressão aos protestos internos não incluiria execuções em massa e que o número de mortos não seria tão alto quanto vinha sendo noticiado fora do país.
O recuo de tom veio após dias de forte tensão, alimentados por sinais públicos de Trump de que cogitava ações contra o regime iraniano. Postagens do presidente nas redes sociais, como a mensagem de que “A AJUDA ESTÁ A CAMINHO” para os manifestantes, aumentaram a percepção de risco de um ataque e de uma possível reação de Teerã.
Ao mesmo tempo em que a diplomacia atuava, movimentos militares dos EUA na região mantiveram o mercado em alerta. A retirada de parte de tropas e aeronaves da base de Al Udeid, no Catar — que abriga cerca de 10 mil militares americanos — chegou a ser lida como sinal de que um ataque poderia estar próximo.
Indícios de deslocamento do grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln para a região reforçaram a visão de que, apesar da abertura para o diálogo, as opções militares seguem na mesa.
Ainda assim, depois que Trump afirmou ter recebido garantias de que o Irã parou de matar manifestantes e não planeja execuções, os preços do petróleo recuaram, com o mercado tirando parte do prêmio de risco de um confronto direto.