Publicidade
O governo dos Estados Unidos está ativamente empenhado em promover uma mudança de regime em Cuba até o fim de 2026, segundo reportagem publicada na noite de terça-feira (21) pelo Wall Street Journal. A estratégia ganhou força após a derrubada do presidente venezuelano Nicolás Maduro, vista por Washington como um modelo e, ao mesmo tempo, um alerta para Havana.
De acordo com o jornal, a administração do presidente Donald Trump passou a buscar interlocutores dentro do próprio governo cubano dispostos a negociar uma saída que ponha fim ao regime comunista no país caribenho, que está no poder há quase sete décadas.

Ray Dalio diz que Trump já acabou com regras da ordem global: ‘Não sejamos ingênuos’
Fundador da Bridgewater alerta para fim já dado ao sistema do pós-guerra, e aconselha como CEOs devem lidar com essa realidade

Trump diz ter esboço de acordo sobre Groenlândia com Otan e recua de tarifas à Europa
Após reunião com secretário-geral da aliança, presidente afirmou ter “estrutura de futuro acordo” para Groenlândia e Ártico e cancelou tarifas contra aliados da Europa
Segundo fontes ouvidas pelo WSJ, avaliações internas do governo americano apontam que a economia cubana está próxima do colapso e mais frágil do que nunca, especialmente após a queda de Maduro, considerado um dos principais sustentáculos externos de Havana. Embora não exista um plano detalhado para substituir o regime, autoridades americanas veem a operação que levou à captura de Maduro como um “roteiro” possível para Cuba.
Aproveite a alta da Bolsa!
Em 11 de janeiro, Trump publicou em rede social que sugeria um acordo por parte de Havana “antes que seja tarde demais” e afirmou que não haveria mais envio de “óleo ou dinheiro” para o país. Em encontros com exilados cubanos e organizações cívicas em Miami e Washington, autoridades dos EUA têm tentado identificar alguém dentro do atual governo disposto a negociar, segundo um funcionário citado pelo jornal.
A reportagem lembra que a operação de 3 de janeiro em Caracas contou com a ajuda de um integrante do círculo íntimo de Maduro e resultou na morte de 32 soldados e agentes de inteligência cubanos que faziam parte de sua segurança. Embora Washington não tenha feito ameaças públicas de uso de força militar contra Cuba, integrantes do governo dizem, em caráter reservado, que a ação na Venezuela funciona como uma ameaça implícita a Havana.
O WSJ relata ainda que relatórios de inteligência dos EUA descrevem um cenário econômico crítico na ilha, marcado por escassez crônica de alimentos e medicamentos, além de apagões frequentes. Desde o fim dos anos 1990, Cuba depende fortemente do petróleo subsidiado da Venezuela. Segundo autoridades americanas, a intenção é estrangular esse fornecimento, o que poderia levar o país a ficar sem óleo em questão de semanas, paralisando a economia.
Continua depois da publicidade
Outra frente de pressão envolve as missões médicas cubanas no exterior, principal fonte de divisas do país. O governo Trump tem imposto restrições de visto a autoridades cubanas e estrangeiras acusadas de facilitar o programa.
Teste da nova doutrina
Para Trump e aliados próximos, muitos com vínculos políticos com a Flórida, a queda do regime cubano seria o teste decisivo de sua estratégia de segurança nacional para remodelar o hemisfério, afirma o jornal. Internamente, o presidente cita a cooperação da venezuelana Delcy Rodríguez após a queda de Maduro como prova de que Washington pode impor condições.
Em nota, o Departamento de Estado afirmou que é do interesse da segurança nacional americana que Cuba seja governada por um regime democrático e deixe de abrigar serviços militares e de inteligência de adversários dos EUA.
Em Havana, o governo rejeita qualquer possibilidade de negociação sob pressão. O presidente Miguel Díaz-Canel afirmou recentemente que não haverá “rendição ou capitulação”. Enquanto isso, exercícios militares e sinais de descontentamento popular convivem em uma capital marcada por apagões, falta de combustível e protestos silenciosos, descritos pelo jornal como o som de panelas batendo no escuro das noites cubanas.