Publicidade
CABUL, 17 Mar (Reuters) – Mais de 400 pessoas foram mortas e 250 ficaram feridas em um ataque aéreo do Paquistão a um hospital de reabilitação de drogas em Cabul, disse um porta-voz do governo afegão do Taliban na terça-feira, em uma escalada acentuada no conflito entre os vizinhos.
O Paquistão rejeitou a alegação como falsa e enganosa e disse que ‘visou precisamente instalações militares e infraestrutura de apoio ao terrorismo’ na noite de segunda-feira.
‘As detonações secundárias visíveis após os ataques indicam claramente a presença de grandes depósitos de munição’, disse o ministro da Informação paquistanês, Attaullah Tarar, em um post no X.
O ataque aéreo ocorreu horas depois que a China disse que continuava disposta a seguir os esforços para aliviar as tensões entre as nações islâmicas do sul da Ásia e pediu que ambas evitassem expandir a guerra e voltassem à mesa de negociações.
O conflito que começou no mês passado é o pior já ocorrido entre os vizinhos que compartilham uma fronteira de 2.600 km. O conflito havia diminuído em meio a tentativas de países amigos, incluindo a China, de mediar e acabar com os combates, antes de recrudescer novamente, desta vez poucos dias antes do festival Eid al-Fitr, que marca o fim do mês sagrado do Ramadã.
A escalada ocorre em meio a uma instabilidade mais ampla na vizinhança, onde os ataques dos EUA e de Israel ao Irã e a retaliação de Teerã mergulharam o Oriente Médio em uma crise.
Continua depois da publicidade
JUÍZO FINAL
No local, uma estrutura de um andar enegrecida exibia as marcas das chamas. Em outros lugares, os edifícios foram reduzidos a montes de madeira e metal, com apenas alguns beliches ainda intactos em alguns deles, enquanto cobertores, pertences pessoais e roupas de cama estavam espalhados.
O porta-voz do Ministério do Interior, Abdul Mateen Qanie, disse que 408 pessoas foram mortas e 265 ficaram feridas. As autoridades afegãs disseram que os mortos e os feridos foram levados para hospitais nos arredores de Cabul, mas não forneceram detalhes sobre quantos corpos foram recuperados e como as vítimas foram contadas.
Segundo moradores, hospital funcionava em um local onde antes havia uma base militar.
Testemunhas disseram que ouviram a explosão de três bombas no momento em que as pessoas no hospital estavam terminando as orações da noite e que duas delas atingiram quartos e áreas de pacientes.
‘O lugar inteiro pegou fogo. Foi como o dia do juízo final’, declarou Ahmad, 50 anos, afirmando estar em tratamento na instituição e deu apenas seu primeiro nome. ‘Meus amigos estavam se queimando no fogo e não conseguimos salvar todos eles.’
Continua depois da publicidade