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O governador da Califórnia, Gavin Newsom, acusou o presidente Donald Trump de ordenar que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos investigue ele e sua mulher, Jennifer Siebel Newsom.
Em um vídeo, Newsom afirmou que o governo Trump está mirando nele porque ele está “considerando disputar a Presidência”, sem dar detalhes sobre a investigação.
“Eles estão abusando do processo de grande júri. Estão vasculhando anos e anos de documentos aleatórios”, disse Newsom. “Donald Trump não está vindo atrás de mim só por causa dos meus tweets duros. Ele está vindo atrás de mim porque estou considerando disputar a Presidência.”
“Hoje, minha mulher e eu entramos na lista de alvos de Donald Trump. Ele orientou o Departamento de Justiça a nos investigar. Eles não encontraram um crime — estão simplesmente tentando achar um”, afirmou Newsom.
Segundo uma pessoa com conhecimento do caso, o Departamento de Justiça apura se Newsom tinha conhecimento ou participou de supostas irregularidades envolvendo seu ex-chefe de gabinete, que no mês passado se declarou culpado em uma investigação federal por fraude.
Os investigadores também analisam possíveis violações fiscais por parte de Newsom e de sua mulher, disse a fonte, que pediu anonimato por se tratar de uma investigação em andamento. As apurações, conduzidas pelo gabinete do procurador federal em Sacramento, começaram no ano passado, segundo essa pessoa.
Representantes do Departamento de Justiça dos EUA se recusaram a comentar. Já a Casa Branca encaminhou os questionamentos ao próprio Departamento de Justiça.
Newsom, que disse que agentes federais bateram à porta de familiares, amigos e ex-funcionários, acrescentou que aceita qualquer escrutínio sobre si, mas que incluir sua mulher ultrapassa um limite.
“Podem colocar meu nome em toda e qualquer lista de inimigos que quiserem, mas deixem minha mulher e minha família fora da sua vendeta pessoal”, disse Newsom sobre Trump.
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Nem o governador nem Siebel Newsom foram intimados, segundo o gabinete de Newsom.
Impedido de disputar novo mandato como governador da Califórnia, Newsom é visto como um dos primeiros nomes na corrida pela indicação democrata à Presidência em 2028. Ele elevou seu perfil nacional com posturas de enfrentamento a Trump, incluindo críticas à política migratória do presidente e à proposta de redesenhar os distritos eleitorais da Califórnia para favorecer os democratas.
Trump tem pressionado o Departamento de Justiça a investigar adversários políticos, em uma ruptura com a relação de distanciamento que governos anteriores costumavam manter. Promotores já avançaram em casos contra o ex-diretor do FBI James Comey e a procuradora-geral de Nova York, Letitia James. Embora ambos neguem irregularidades e tenham visto acusações serem derrubadas por um juiz, Comey foi acusado de outro suposto delito em abril.
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O presidente tem atacado Newsom repetidamente, chamando-o de “Newscum”, e em janeiro disse, sem apresentar detalhes, que uma “investigação por fraude” na Califórnia havia começado.
Siebel Newsom, que usa o título de primeira parceira da Califórnia, é documentarista e já abordou em seus trabalhos os impactos das redes sociais sobre jovens homens e o sexismo. Ela também enfrentou críticas de conservadores e grupos de fiscalização por doações a organizações sem fins lucrativos ligadas a empresas com negócios no estado, além do uso de seus filmes e materiais educacionais em escolas da Califórnia.
“Está claro que não há limites para o que Donald Trump fará para conseguir o que quer ou para enfrentar quem cruza seu caminho”, disse Siebel Newsom. “Isso não é comportamento presidencial, e o governador e eu vamos continuar falando a verdade ao poder porque o povo americano merece muito mais.”
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