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O general Zhang Youxia, considerado até recentemente o militar mais influente da China e um dos aliados mais próximos do presidente Xi Jinping, é investigado por acusações que incluem vazamento de informações sigilosas sobre o programa nuclear do país para os Estados Unidos, além de corrupção e abuso de poder. As informações constam de um briefing interno de alto nível relatado por fontes ao The Wall Street Journal.
Segundo pessoas ouvidas pelo jornal, em uma reunião realizada no sábado (20), Zhang teria aceitado grandes somas de dinheiro em troca de promoções dentro das Forças Armadas e usado sua posição para formar redes de influência política que minariam a unidade do Partido Comunista Chinês.
O encontro ocorreu pouco antes de o Ministério da Defesa da China anunciar oficialmente a abertura de uma investigação contra o general por “graves violações da disciplina partidária e das leis do Estado”.

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Segundo o relato do WSJ, uma das frentes centrais da apuração envolve a atuação de Zhang no comando da Comissão Militar Central, órgão máximo de decisão das Forças Armadas chinesas. As autoridades analisam também sua supervisão sobre a área responsável por pesquisa, desenvolvimento e compras de equipamentos militares, um dos setores com maior orçamento do Estado chinês.
A acusação mais sensível apresentada no briefing fechado diz respeito ao suposto vazamento de dados técnicos centrais sobre armas nucleares chinesas aos Estados Unidos.
Parte das evidências teria surgido a partir da investigação contra Gu Jun, ex-presidente da estatal China National Nuclear Corp, responsável pelos programas nuclear civil e militar do país. Pequim anunciou na semana passada que Gu também é alvo de apuração por suspeitas semelhantes.
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O embaixador da China em Washington, Liu Pengyu, afirmou ao jornal que a investigação demonstra a política de “tolerância zero” do Partido Comunista contra a corrupção, sem comentar as acusações específicas. Zhang e Gu não foram localizados para se manifestar.
Zhang Youxia, de 75 anos, integra o restrito grupo de dirigentes conhecido como “princelings”, descendentes de líderes revolucionários. Seu pai lutou ao lado do pai de Xi Jinping durante a guerra civil chinesa. Analistas ouvidos pelo WSJ avaliam que a queda de Zhang representa o movimento mais agressivo de desmonte da cúpula militar chinesa desde a era Mao Tsé-tung.
O briefing também relaciona Zhang à ascensão e posterior queda do ex-ministro da Defesa Li Shangfu, expulso do partido em 2024 por corrupção. Segundo as fontes, Zhang teria facilitado sua promoção em troca de subornos.
Como parte da ofensiva, Xi Jinping autorizou uma força-tarefa a reexaminar o período em que Zhang comandou a Região Militar de Shenyang, entre 2007 e 2012. Investigadores já teriam apreendido celulares de oficiais ligados a Zhang e ao general Liu Zhenli, chefe do Estado-Maior Conjunto, também investigado.
Especialistas destacam que o expurgo amplia um processo iniciado em 2023, que já afastou dezenas de oficiais do Exército, da Marinha, da Força Aérea e da força de mísseis estratégicos. Hoje, a Comissão Militar Central conta com apenas um oficial de carreira em atividade, o general Zhang Shengmin, conhecido por seu perfil político e disciplinar.
Segundo analistas citados pelo jornal, a eliminação de Zhang sinaliza que Xi consolidou controle sobre as Forças Armadas, mas também pode gerar impactos operacionais. A concentração de poder e a saída de comandantes experientes tendem a afetar a prontidão militar no curto e médio prazo, em um momento de tensão estratégica envolvendo Taiwan e negociações sensíveis entre Pequim e Washington sobre comércio e segurança.
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