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(Bloomberg) – Donald Trump, que reverteu seu ceticismo inicial em relação às criptomoedas para se tornar um dos maiores entusiastas do setor, declarou ter recebido mais renda relacionada a criptomoedas no ano passado do que qualquer empresa de ativos digitais de capital aberto dos EUA.
A declaração financeira de 927 páginas divulgada na terça-feira pelo Escritório de Ética Governamental dos EUA mostrou que Trump gerou pelo menos US$ 1,4 bilhão com empreendimentos em criptomoedas, incluindo cerca de US$ 594 milhões da World Liberty Financial, que ele e seus filhos cofundaram, aproximadamente US$ 636 milhões ligados ao seu negócio de memecoin e quase US$ 197 milhões da venda de ações da Stablecoin Holdco. Criptomoedas foram, de longe, a maior fonte de renda declarada no documento, que também detalhou receitas de hotéis, resorts de golfe e outros negócios.
Quase toda a receita de Trump com criptomoedas veio de vendas únicas de tokens e ações, e não de lucros operacionais recorrentes. Em contraste, a Coinbase Global Inc., a plataforma de criptomoedas listada nos EUA mais lucrativa, reportou um lucro líquido de US$ 1,26 bilhão no ano passado, segundo as normas contábeis para empresas de capital aberto. A divulgação de Trump é feita pela própria empresa e segue regras diferentes.
Na quarta-feira, o presidente minimizou a quantia que ganhou, dizendo que já era rico quando foi eleito, e desviou das perguntas dos repórteres sobre se estava lucrando indevidamente com a presidência.
A arrecadação ocorreu em um momento em que algumas empresas perderam dinheiro devido a uma forte queda nos mercados de criptomoedas, desencadeada pela liquidação de cerca de US$ 19 bilhões em apostas arriscadas em 10 de outubro. O Bitcoin, a maior criptomoeda, havia atingido um recorde de mais de US$ 126.000 poucos dias antes, mas hoje é negociado a menos da metade desse valor.
Com a queda acentuada do preço do Bitcoin, os mineradores intensificaram seus investimentos em IA, enquanto seus desembolsos de capital resultaram em prejuízos. As corretoras de ativos digitais foram afetadas por uma desaceleração na atividade de negociação. A Strategy Inc., de Michael Saylor, que opera praticamente como uma acumuladora de Bitcoin em vez de uma empresa operacional tradicional, registrou um prejuízo de US$ 3,8 bilhões após a queda do preço da maior criptomoeda do mundo.
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Trump, que começou a defender o setor durante a campanha eleitoral de 2024, ajudou a aprovar importantes conquistas regulatórias em seu segundo mandato, incluindo uma nova legislação para emissores de stablecoins. Ele também nomeou membros para a elaboração das normas considerados favoráveis ao setor.
Sob a administração Trump, a SEC (espécie de Comissão de Valores Mobiliários dos EUA), que havia instaurado uma série de ações de fiscalização contra o setor sob a gestão de Joe Biden, arquivou os processos judiciais contra as principais corretoras de ativos digitais.
Trump também concedeu indulto a executivos do setor de criptomoedas, incluindo Changpeng Zhao, cofundador da Binance, a maior corretora do mundo, que anteriormente havia se declarado culpado de lavagem de dinheiro e violações das sanções americanas.
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A riqueza da família Trump em stablecoins é impulsionada pelo relacionamento com a Binance.
A Casa Branca afirmou repetidamente que Trump não está envolvido na gestão dos empreendimentos de criptomoedas da família e negou qualquer conflito de interesses.
“Não há dúvida de que Trump teve um impacto positivo no sentimento em relação às criptomoedas”, disse Vincent Liu, diretor de investimentos da Kronos Research, que no ano passado participou de um jantar exclusivo com o presidente para os principais detentores de sua memecoin.
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As criptomoedas lançadas pelos dois principais empreendimentos dos quais Trump lucrou, a World Liberty e sua memecoin, tiveram um desempenho ruim desde sua estreia no ano passado. A memecoin caiu mais de 95%, enquanto o token da World Liberty desvalorizou 75%, de acordo com dados da CoinGecko.
Embora os US$ 1,4 bilhão em lucros superem qualquer valor registrado nos EUA, existem empresas de criptomoedas mais lucrativas operando no exterior. A Tether, maior emissora de stablecoins do mundo, reportou mais de US$ 10 bilhões em lucro no ano passado, embora o número ainda não tenha sido confirmado por uma auditoria.
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