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O empresário Bao Fan, fundador do banco de investimento China Renaissance e um dos nomes mais influentes do setor financeiro chinês, teria sido libertado após mais de dois anos sob custódia das autoridades do país.
A informação foi divulgada nesta sexta-feira (8) pelo jornal Caixin, mas até o momento não há confirmação oficial do governo chinês nem do próprio empresário. A possível libertação do empresário volta a colocar em evidência a série de desaparecimentos de bilionários e executivos de alto escalão na China nos últimos anos.
Desde 2012, a campanha anticorrupção liderada pelo presidente Xi Jinping tem atingido setores estratégicos da economia — incluindo tecnologia, educação, mercado imobiliário e sistema financeiro. Embora oficialmente tenha como objetivo coibir práticas ilegais, a operação também é vista como instrumento de reforço do controle político sobre o setor privado.
Casos semelhantes já chamaram atenção no passado:
- Jack Ma, do Alibaba, ficou recluso por três meses em 2020 após criticar reguladores;
- Xiao Jianhua, bilionário retirado de um hotel em Hong Kong em 2017, foi condenado a 13 anos de prisão;
- Zhang Hongli, ex-vice-presidente do Banco Industrial e Comercial da China, foi investigado em 2023 por “sérias violações” da lei e da disciplina partidária.
Segundo a Bloomberg, centenas de executivos e funcionários do setor financeiro já foram alvo de ações disciplinares, num cenário de cortes salariais e restrição de benefícios alinhados à política de “prosperidade comum”.
O desaparecimento de Bao Fan
No caso de Bao, o sumiço ocorreu em fevereiro de 2023, quando ele foi visto pela última vez antes de ser informado pelo veículo estatal Economic Observer que estava sob investigação da Comissão Central de Inspeção Disciplinar, principal órgão anticorrupção do país.
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Fontes ouvidas pela Reuters meses depois afirmaram que ele colaborava com autoridades em um inquérito contra um ex-colega. Nenhum detalhe oficial sobre sua detenção, condições ou andamento do caso foi divulgado desde então.
Em comunicado à Bolsa de Hong Kong, o China Renaissance informou, à época, que Bao havia deixado os cargos de presidente e CEO “por motivos de saúde e para se dedicar à família” — sem mencionar investigações ou detenção.
Incertezas
O possível retorno de Bao ocorre num momento de tensão no ambiente corporativo chinês. Executivos estrangeiros também têm relatado restrições: no mês passado, um sênior do Wells Fargo & Co. foi impedido de deixar o país durante uma investigação.
Apesar das novas informações divulgadas pelo Caixin, não há confirmação oficial de que Bao esteja em liberdade. O China Renaissance e o Ministério da Segurança Pública não responderam aos pedidos de comentário enviados pela Reuters e pela Bloomberg.
