Explosão perto de colégio eleitoral acirra tensão política nas eleições da Bolívia

Artefato foi detonado em local onde votaria Andrónico Rodríguez; governo suspeita de tentativa de desestabilização ligada a aliados de Evo Morales

Marina Verenicz

Eleições na Bolívia - REUTERS/Claudia Morales
Eleições na Bolívia - REUTERS/Claudia Morales

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A polícia da Bolívia investiga a detonação de um artefato explosivo registrada na manhã deste domingo (17) nas proximidades da escola Carrasco, na cidade de Entre Ríos, departamento de Cochabamba.

O local era o colégio eleitoral onde deveria votar Andrónico Rodríguez, presidente do Senado e candidato à Presidência pela Aliança Popular, legenda de oposição.

O ministro de Governo, Roberto Ríos, confirmou o incidente e afirmou que as equipes policiais foram mobilizadas para validar as informações e identificar os autores do ataque. “A polícia está trabalhando neste momento para confirmar a detonação de um artefato explosivo”, declarou.

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Apesar do episódio, o governo afirma que o processo eleitoral segue normalmente na região, com mesas funcionando sem interrupções. No entanto, o ministro alertou para possíveis tentativas de desestabilização, atribuindo a tensão a grupos próximos ao ex-presidente Evo Morales.

Rumores de prisão e reforço policial

Segundo Ríos, setores aliados a Morales estariam montando pontos de vigilância na região de Entre Ríos, alegando a existência de uma suposta ordem de prisão prestes a ser cumprida — o que, segundo o governo, seria apenas um “pretexto para gerar confrontos”.

Em razão desses indícios, o governo determinou o reforço do policiamento na região, incluindo controle de acessos e o envio de agentes à paisana para prevenir bloqueios e invasões a instituições públicas após o fechamento das urnas.

Eleitorado mobilizado

Segundo o Tribunal Supremo Eleitoral boliviano, 7,9 milhões de pessoas estão aptas a votar, incluindo cerca de 370 mil eleitores no exterior. A população total do país é estimada em 11,3 milhões de habitantes.

A Bolívia escolhe neste domingo o próximo presidente e a composição do novo Congresso Nacional — uma disputa que, além de definir rumos econômicos, pode reconfigurar o equilíbrio institucional após anos de crise política, judicialização de candidaturas e embates entre os poderes.