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O Congresso Nacional Africano da África do Sul expulsou o ex-líder Jacob Zuma por ter fundado um grupo político rival que custou ao partido sua maioria parlamentar pela primeira vez desde que chegou ao poder há três décadas.
O comitê disciplinar do partido concluiu que Zuma comprometeu a integridade do ANC ao trabalhar com um partido rival, disse o secretário-geral Fikile Mbalula a repórteres em Joanesburgo nesta segunda-feira (29). Segundo ele, Zuma é o primeiro ex-presidente do partido a ser expulso.
“Essa conduta é irreconciliável com o espírito de disciplina organizacional”, disse Mbalula. “Sua plataforma é perigosa, apela para os instintos extremistas em nosso corpo político e incita uma base política que pode fomentar agitação social.”
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Zuma, de 82 anos, liderou a África do Sul por quase nove anos, passando por uma série de escândalos antes de ser forçado pelo ANC a renunciar em 2018 para conter a perda de apoio eleitoral. Uma investigação judicial descobriu que bilhões de rands de fundos públicos foram desviados com seu consentimento tácito e as instituições estatais foram esvaziadas durante seu mandato, embora ele não tenha sido acusado e tenha negado qualquer irregularidade.
Zuma fundou o partido uMkhonto weSizwe no final do ano passado e obteve 14,6% de apoio nas eleições realizadas em maio. O ANC conquistou 40,2% de apoio, perdendo sua maioria parlamentar pela primeira vez desde que chegou ao poder em 1994, e formou uma coalizão com nove rivais para manter o poder.
Zuma optou por não comparecer ao comitê disciplinar do ANC, mas fez uma apresentação por meio de um representante. Segundo a constituição do partido, ele pode recorrer da decisão do painel dentro de 21 dias.
A expulsão do ANC, embora rara, não é inédita e inclui a do ex-presidente da Liga da Juventude do partido, Julius Malema. Ele acabou formando o partido de esquerda Economic Freedom Fighters, que obteve 10% dos votos nas eleições deste ano.
Embora Zuma tenha feito campanha pelo MK Party, ele foi impedido de concorrer como legislador. As autoridades eleitorais o desqualificaram devido à sua condenação por desacato ao tribunal em 2021, depois que ele se recusou a depor em uma investigação sobre o saque de mais de $27 bilhões de fundos estatais durante seu mandato presidencial.
A prisão de Zuma em julho de 2021 por desacato ao tribunal desencadeou os distúrbios mais violentos na África do Sul desde o fim do apartheid. Mais de 350 pessoas morreram durante dias de tumultos e centenas de empresas foram saqueadas e danificadas, causando prejuízos bilionários à economia.
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