Ex-presidente é libertado no Peru após condenação no caso Odebrecht ser anulada

Ollanta Humala estava detido desde abril de 2025 acusado de ter recebido US$ 3 milhões da construtora brasileira para a campanha presidencial de 2011, na qual saiu vitorioso

Estadão Conteúdo

O ex-presidente peruano Ollanta Humala deixa a prisão de Barbadillo depois que a Corte Constitucional anulou sua sentença de 15 anos por lavagem de dinheiro, em Lima, Peru, 31 de julho de 2026. REUTERS/Leslie Moreno
O ex-presidente peruano Ollanta Humala deixa a prisão de Barbadillo depois que a Corte Constitucional anulou sua sentença de 15 anos por lavagem de dinheiro, em Lima, Peru, 31 de julho de 2026. REUTERS/Leslie Moreno

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Ollanta Humala, ex-presidente do Peru, foi libertado nesta sexta-feira, 31, de uma prisão em Lima, depois que a Justiça anulou sua condenação de 15 anos por lavagem de dinheiro ao receber verbas da construtora Odebrecht, segundo constataram jornalistas da agência de notícias AFP.

Humala deixou a prisão em um veículo por volta das 19h40 no horário local (21h40 no horário de Brasília), escoltado por policiais e cercado por um grande grupo de simpatizantes. Ele estava detido desde abril de 2025 acusado de ter recebido US$ 3 milhões da construtora brasileira para a campanha presidencial de 2011, na qual saiu vitorioso.

“Fomos vítimas de uma perseguição política e judicial. Fui sequestrado pelo Estado e por capangas do sistema judiciário”, disse o ex-presidente aos jornalistas ao sair do recinto prisional. Com a voz embargada, Humala destacou que, devido a essa “perseguição, fui obrigado a pedir asilo para minha esposa e a tirar meus filhos do país”.

Na quinta-feira, 30, o Tribunal Constitucional divulgou uma decisão que anulou a condenação do ex-presidente, ao considerar que o financiamento que ele recebeu de terceiros para suas campanhas eleitorais não constituía crime quando Humala, hoje com 64 anos, era candidato à presidência.

A Odebrecht, cujo escândalo de subornos e corrupção teve consequências em vários países da América Latina, reconheceu em 2016 que pagou dezenas de milhões de dólares em propinas e doações eleitorais ilegais no Peru desde o início do século XXI.

Acusações

O Ministério Público acusa Humala de lavagem de ativos por supostamente ocultar que recebeu 3 milhões de dólares da Odebrecht para a campanha de 2011 que o levou à presidência, segundo declarou aos procuradores peruanos o ex-presidente da empresa brasileira, Marcelo Odebrecht.

Nadine Heredia, esposa de Humala, também foi acusada como cofundadora da legenda Partido Nacionalista. Segundo a acusação, na campanha derrotada de 2006, o casal teria desviado quase US$ 200 mil enviados pelo então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, por meio de uma empresa deste país. O casal nega ter recebido dinheiro de Chávez ou de qualquer empresa brasileira.

Humala é o segundo de um total de quatro ex-presidentes envolvidos no esquema de corrupção da Odebrecht no Peru. O MP afirma que o escândalo também envolveu Alan García (2006-2011), que tirou a própria vida em 2019 antes de ser detido; Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018), ainda sob investigação; e Alejandro Toledo (2001-2006), que foi condenado em 2024 a mais de 20 anos de prisão por receber subornos milionários em troca da concessão de obras em seu governo.

A atual presidente do Peru, a recém-empossada Keiko Fujimori, também foi acusada de lavagem de dinheiro no esquema da Odebrecht quando ainda era deputada – e chegou a ser presa, sendo libertada por falhas na acusação e vencendo a disputa eleitoral de 2026 após três derrotas no segundo turno (para Humala em 2011, para Kuczynski em 2016 e para Pedro Castillo em 2021).

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