EUA x Irã: veja o que marcou o 46º dia da guerra no Oriente Médio

Irã testa limites do bloqueio naval americano, Paquistão tenta mediar nova rodada de negociações e reunião em Washington busca reduzir tensões na fronteira israelense

Sara Baptista

14 de abril de 2026 - Destroços de um prédio residencial atingido nos ataques de 4 de março em Teerã, no Irã. Foto: REUTERS/Thaier Al Sudani
14 de abril de 2026 - Destroços de um prédio residencial atingido nos ataques de 4 de março em Teerã, no Irã. Foto: REUTERS/Thaier Al Sudani

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No 46º dia do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, houve pouco avanço nas negociações de paz, e o foco continua na passagem de navios pelo Estreito de Ormuz.

Esta terça-feira (14) é oficialmente o segundo dia do bloqueio americano. O Centcom (Comando Central dos Estados Unidos) afirmou que nenhuma embarcação conseguiu cruzar o estreito nesse período.

No entanto, dados de uma plataforma de monitoramento indicam que ao menos nove embarcações comerciais passaram pelo Estreito de Ormuz, incluindo navios sob sanções dos EUA por ligações com o Irã.

Segundo o Wall Street Journal, o Irã se antecipou à ofensiva americana e montou uma reserva expressiva de petróleo fora do Golfo Pérsico. Isso significa, de acordo com a publicação, que o país pode resistir por semanas ou até meses ao bloqueio de Ormuz.

Ainda assim, Teerã avalia uma pausa de curto prazo nos embarques pelo estreito para evitar testar o bloqueio naval dos EUA e comprometer uma nova rodada de negociações de paz, segundo a Bloomberg.

Nova rodada

O Paquistão propôs sediar uma nova rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã em Islamabad nos próximos dias, antes do fim do prazo do cessar-fogo de duas semanas.

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Em entrevista ao jornal New York Post, o presidente dos EUA, Donald Trump, indicou que a nova rodada de conversas pode ocorrer dentro de dois dias. Já o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a retomada das negociações é “altamente provável”. “A indicação que temos é que é altamente provável que essas negociações sejam retomadas”, afirmou a jornalistas, defendendo também a continuidade do cessar-fogo.

Pessoas caminham em rua com pôsteres do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, em Isfahan, no Irã. Foto: REUTERS/Alaa Al Marjani

Conversas entre Israel e Líbano

No outro front da guerra, representantes de Israel e Líbano se reuniram em Washington. Os dois lados relataram discussões positivas, mas um plano de paz ainda é incerto.

O presidente do Líbano, Joseph Aoun, expressou esperança em um acordo por meio de comunicado e afirmou que a paz não voltará ao sul do país enquanto Israel ocupar o território.

Mais cedo, antes do início das conversas nos EUA, chanceleres de 17 países pediram que as partes “aproveitem a oportunidade”. “Negociações diretas podem abrir caminho para trazer segurança duradoura para o Líbano e Israel, bem como para toda a região”, dizia a nota conjunta.