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O 40º dia de conflito é também o primeiro dia oficial do cessar-fogo com o qual Irã e Estados Unidos concordaram, a fim de avançar nas negociações de paz. Porém, esta quarta-feira (8) foi marcada por violentos ataques de Israel contra o Líbano.
Na terça, o primeiro-ministro do Paquistão, que mediou o acordo entre as partes, havia afirmado que o cessar-fogo deveria ser geral. No entanto, na quarta, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmaram que o Líbano não estava incluído na proposta aceita.

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Os ataques ao Líbano colocam em risco os esforços de negociação. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que prepara uma “resposta pesada”. E o governo iraniano informou que voltou a fechar o Estreito de Ormuz e que poderia romper o cessar-fogo por conta dos ataques a Beirute. Por sua vez, o Líbano pediu ajuda internacional para conter Israel e encontrou apoio na Itália.
Outros ataques
Além do Líbano, bombardeios em outras localidades foram registrados nesta quarta. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que duas ilhas do país, Lavan e Siri, foram bombardeadas após o cessar-fogo.
Um oleoduto estratégico da Arábia Saudita foi atingido por um drone horas após o anúncio do cessar-fogo entre EUA e Irã.
E o Exército do Kuwait disse que suas defesas aéreas interceptaram uma onda de drones iranianos lançados desde as 8h (2h em Brasília), já depois do início do cessar-fogo.
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Como ficam as negociações
Mesmo com o cenário instável, o Paquistão afirmou que o Irã confirmou sua participação em negociações de paz com os Estados Unidos em Islamabad. O encontro começará na sexta-feira (10) e pode se estender.
O embaixador do Irã na ONU disse que o país abordará as conversas com cautela, devido a uma grande falta de confiança. “Nossas forças militares estão se mantendo preparadas… mas, enquanto isso, vamos negociar para ver a seriedade do outro lado”, declarou o embaixador, Ali Bahreini, à Reuters.
Já o presidente dos Estados Unidos afirmou que trabalhará em estreita colaboração com o Irã e que as conversas acontecerão a portas fechadas.
Repercussões do cessar-fogo
Após o anúncio do cessar-fogo, os dois lados da guerra reivindicaram vitória. O Irã comemorou uma “derrota histórica” dos EUA, enquanto Trump celebrou o acordo como um “grande dia para a paz mundial” e projetou uma “era de ouro do Oriente Médio”.
Os Estados Unidos veem o momento como uma “pausa” e ainda mantêm suas forças armadas de prontidão, de acordo com o secretário da Guerra, Pete Hegseth.
Em Israel, o tom foi diferente. Netanyahu declarou que o cessar-fogo não é o fim da guerra e disse que Israel continua com o “dedo no gatilho“. Já o líder da oposição, Yair Lapid, considerou o acordo um “desastre político“.
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Na ONU, o secretário-geral, António Guterres, celebrou o cessar-fogo e pediu o fim das hostilidades no Oriente Médio.