EUA x Irã: o que aconteceu no 28º dia de guerra no Oriente Médio

Ataques, declarações indiretas e contradições marcaram o dia, que terminou sem avanços nas negociações de paz, apesar da expectativa por uma resposta do Irã nesta sexta-feira

Sara Baptista

27 de março de 2026 - Hawraa Houmani sentada ao lado de sua sogra, Sabah Khalil Marji, enquanto ela segura seus netos recém-nascidos em uma escola, agora usada como abrigo temporário para as pessoas deslocadas pela guerra no Líbano. Foto: REUTERS/Emilie Madi
27 de março de 2026 - Hawraa Houmani sentada ao lado de sua sogra, Sabah Khalil Marji, enquanto ela segura seus netos recém-nascidos em uma escola, agora usada como abrigo temporário para as pessoas deslocadas pela guerra no Líbano. Foto: REUTERS/Emilie Madi

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O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã completa quatro semanas nesta sexta-feira (27). O dia foi marcado por ataques, declarações indiretas e contradições, sem avanço nas negociações de paz, apesar de uma resposta do Irã ser esperada para esta sexta.

Nos Estados Unidos, permanecem posicionamentos contraditórios a respeito de um esforço para o fim da guerra. Fontes ouvidas pelo jornal Wall Street Journal afirmam que o Pentágono planeja enviar mais 10 mil militares para o Oriente Médio, que seriam posicionados próximos ao Irã. Por outro lado, o país teria sinalizado a aliados que não pretende realizar um ataque por terra neste momento.

O secretário de Estado, Marco Rubio, diz que espera acabar com a guerra em semanas e que os EUA não precisam de forças terrestres para atingir seus objetivos, mas mantém as opções do presidente Donald Trump em aberto.

Em outro ponto, fontes ouvidas pela Reuters afirmam que Washington só pode confirmar que um terço dos mísseis do Irã foi destruído. A informação contraria o discurso do presidente americano, que vem dizendo que o poderio militar do Irã foi completamente aniquilado.

A declaração mais importante de uma autoridade americana nesta sexta foi a do enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff, que disse que Trump acredita na paz por meio da força. Ele exemplificou que o acordo na Faixa de Gaza não teria sido possível sem essa postura.

“Intoleráveis”

Uma autoridade sênior do Irã afirmou que os ataques dos EUA ao país, ao mesmo tempo em que Washington pede negociações, são “intoleráveis”. Ele acrescentou que a resposta esperada sobre um acordo ainda não havia sido decidida.

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O país persa também se posicionou novamente sobre o Estreito de Ormuz, reiterando que ele permanece fechado para navios ligados aos EUA e a Israel. Alguns países teriam passagem livre, mas navios chineses desistiram de atravessar o estreito mesmo com a garantia de segurança do Irã.

O Ministério dos Esportes do Irã ainda proibiu suas equipes esportivas de viajarem para países que considera “hostis”. A decisão pode afetar a Copa do Mundo de Futebol em junho, uma vez que os persas estão classificados, mas o torneio tem os Estados Unidos como uma das sedes.

“Escalar e expandir”

Enquanto os Estados Unidos insistem em falar sobre negociações para o fim da guerra, Israel, aliado dos americanos no conflito, não parece estar pronto para encerrar ou mesmo diminuir os ataques.

Na madrugada desta sexta, o país atacou Teerã, incluindo centros de energia nuclear, e Beirute, capital do Líbano, que vem sendo alvo recorrente dos ataques israelenses.

E o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que a ofensiva contra o Irã “vai escalar e se expandir”. Katz disse que Teerã “pagará um preço alto e crescente por este crime de guerra”.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que a ofensiva contra o Irã “vai escalar e se expandir”. Katz disse que Teerã “pagará um preço alto e crescente por este crime de guerra”.

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