EUA x Irã: o que marcou o 45º dia de guerra no Oriente Médio

Chances de um acordo de paz continuam incertas, e conversas entre EUA e Irã, iniciadas no Paquistão no fim de semana, ainda não renderam frutos concretos

Sara Baptista

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O conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã já dura um mês e meio, e as chances de um acordo de paz seguem incertas. As conversas entre EUA e Irã, iniciadas no Paquistão no fim de semana, ainda não renderam frutos concretos.

Nesta segunda-feira (13), data em que os termos do cessar-fogo supostamente deveriam começar a valer, os Estados Unidos iniciaram um bloqueio do Estreito de Ormuz, e o presidente Donald Trump ameaçou bombardear navios iranianos.

A medida provocou reação imediata do Irã, que ameaçou portos do Golfo Pérsico e afirmou estar em “alerta máximo de combate”. Segundo o ministro da Defesa, brigadeiro-general Majid Ibn Reza, qualquer agressão contra o país resultará em uma “resposta dura e decisiva”.

Ainda assim, as chances de paz não foram completamente descartadas. O presidente americano afirmou nesta segunda-feira que o Irã quer fazer um acordo, informação reforçada posteriormente por um oficial dos EUA à CNN. Trump, porém, disse que não aceitará nenhuma proposta que permita a Teerã desenvolver arma nuclear.

Repercussão do bloqueio

A ação dos EUA em Ormuz gerou forte repercussão internacional, com diversos países questionando a medida. A Rússia foi um deles: o Kremlin criticou o fechamento do acesso aos portos iranianos, dizendo que isso prejudicará os mercados globais.

A China também se manifestou antes de o bloqueio ser colocado em prática, pedindo “calma e contenção” aos americanos. Em resposta, Trump ameaçou impor uma tarifa de 50% sobre produtos chineses caso o país seja flagrado fornecendo armas ao Irã.

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Na Europa, Reino Unido e França passaram a articular uma possível missão naval com o objetivo de restaurar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz.

Aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), porém, afirmaram que não vão se envolver no bloqueio e que podem atuar para liberar o Estreito apenas após o fim das hostilidades.

13 de abril de 2026 – Parente de pessoa morta no conflito em um cemitério provisório em Choueifat, no Líbano. Foto: REUTERS/Mohamed Azakir

Trump x Papa

Em meio ao conflito, Trump também atacou o papa Leão XIV, que é americano. O pontífice havia se manifestado no fim de semana pedindo o fim da guerra, e o presidente respondeu, em sua rede Truth Social, chamando-o de “fraco no combate ao crime e péssimo em política externa”.

Nesta segunda, o Papa Leão disse que continuaria a levantar sua voz contra o conflito e que não tem medo de Trump.

Nesta segunda-feira, o papa Leão afirmou que continuará levantando sua voz contra o conflito e que não tem medo de Trump.

Líbano e Israel

Em outro front, Israel continua atacando o Líbano na semana em que representantes dos dois países devem se reunir para discutir um cessar-fogo.

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O alvo mais recente foi a cidade de Bint Jbeil, no sul do Líbano, próxima à fronteira com Israel. Segundo uma autoridade israelense, o controle total da cidade deve ser alcançado dentro de alguns dias.