EUA x Irã: o que marcou o 26º dia de guerra no Oriente Médio

Enquanto Teerã nega negociações e Hezbollah descarta acordo, EUA enviam mais tropas ao Oriente Médio e ONU alerta que conflito foi “longe demais”

Sara Baptista

Projétil lançado do Irã segue em direção a Israel, como visto de Ramallah
 25/3/2026   REUTERS/ Mohammed Torokman
Projétil lançado do Irã segue em direção a Israel, como visto de Ramallah 25/3/2026 REUTERS/ Mohammed Torokman

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O conflito de Israel e Estados Unidos contra o Irã chegou ao seu 26º dia. O foco ainda é a possibilidade de negociações para se atingir um cessar-fogo ou até mesmo o encerramento da guerra. No entanto, esta quarta-feira (25) foi mais um dia em que os discursos públicos sobre o tema divergiram.

O Irã negou de todas as formas que esteja disposto a aceitar um acordo. Inicialmente, fontes afirmaram que o país havia sinalizado uma abertura diplomática e chegou-se a falar na possibilidade de uma rodada de negociações no Paquistão neste fim de semana.

Posteriormente, autoridades iranianas disseram ter analisado as propostas dos EUA e as considerado excessivas. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que o país persa não tem intenção de manter conversações para acabar com o conflito.

Uma fonte ouvida pela emissora estatal iraniana em língua inglesa, Press TV, disse que o Irã rejeitou a proposta americana e acrescentou: “A guerra terminará quando o Irã decidir que ela terminará, e não quando Trump decidir que terminará”.

Em meio às negativas iranianas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou atacar o país com mais força se Teerã não aceitar que “foi derrotado militarmente”.

Também houve rejeição de acordo em outro front da guerra. O Hezbollah, grupo extremista que atua no Líbano, negou negociações com Israel. O chefe do grupo, Naim Qassem, disse em um discurso televisionado, lido em seu nome, que negociar com Israel sob fogo equivale a uma “rendição imposta” e pediu unidade contra Israel.

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Ataques

Enquanto as informações sobre possíveis negociações divergem, os ataques continuam de todos os lados. O Irã foi atacado pelos Estados Unidos, enquanto lançou uma nova onda de ofensivas contra Israel e bases dos EUA no Kuwait, Jordânia e Barein.

Kuwait e Arábia Saudita disseram ter repelido novos ataques de drones, sem especificar sua origem.

Os Estados Unidos enviaram ainda dois mil paraquedistas ao Oriente Médio, sob a justificativa de se tratar de uma “estratégia militar adicional”. O movimento é visto por parte dos analistas como um indicativo de que a guerra não está perto do fim.

Um membro do Parlamento iraniano afirmou que o país está monitorando a movimentação de tropas americanas.

Números

ONU

Na ONU (Organização das Nações Unidas), o enviado do Irã em Genebra, Ali Bahreini, afirmou que Israel é a principal fonte de instabilidade no Oriente Médio.

Já o secretário-geral da organização, António Guterres, disse que a guerra foi “longe demais”. Para ele, o conflito “ultrapassou limites que até os líderes achavam inimagináveis”. Guterres pediu especificamente aos EUA e a Israel que encerrem os combates. E acrescentou: “Minha mensagem para o Irã é que pare de atacar seus vizinhos.”

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