EUA x Irã: o que marcou o 25º dia de guerra no Oriente Médio

Contradições nos discursos das diferentes partes continuam dando o tom no conflito

Sara Baptista

24 de março de 2026 - Uma mulher parada em meio às ruínas da casa dela, que foi destruída por um ataque israelense ao sul do Líbano. Foto: REUTERS/Manu Brabo
24 de março de 2026 - Uma mulher parada em meio às ruínas da casa dela, que foi destruída por um ataque israelense ao sul do Líbano. Foto: REUTERS/Manu Brabo

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Nesta terça-feira (24), o conflito no Irã chegou ao 25º dia, marcado por informações contraditórias sobre o andamento da guerra e das negociações. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as conversas para encerrar as hostilidades continuam e declarou que o Irã teria concordado em não desenvolver armas nucleares.

Por outro lado, fontes indicam que o Irã endureceu sua postura nas negociações, exigindo grandes concessões dos EUA e prometendo lutar “até a vitória”. Autoridades iranianas também negaram, na segunda-feira, que estejam negociando com os americanos.

Os ataques continuam na região. O Irã direcionou ofensivas contra Israel, Kuwait, Bahrein e Arábia Saudita, além de relatar ataques à sua infraestrutura energética. O Pentágono deve enviar de três mil paraquedistas ao Oriente Médio, segundo o Wall Street Journal. Israel intensificou bombardeios em Beirute, no Líbano, e o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou que o país pretende ocupar o sul do Líbano.

Aliados

A posição dos aliados também alimenta a controvérsia. O Paquistão se colocou à disposição para facilitar negociações e teria entregado ao Irã uma proposta dos EUA com 15 pontos para encerrar o conflito.

Já Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos avaliam entrar oficialmente na guerra – os dois países já vêm sendo alvos de ataques frequentes de mísseis iranianos. O Catar, por sua vez, informou que não está mediando diretamente conversas entre EUA e Irã.

Em um posicionamento raro, o presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, criticou Donald Trump, afirmando que o conflito viola o direito internacional e prejudica as relações com os EUA.

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Ormuz

A disputa de narrativas também se estende ao Estreito de Ormuz. Após Trump dizer a repórteres que poderia dividir o controle da região com o líder supremo do Irã, a embaixada iraniana na África do Sul ironizou o presidente americano, publicando a imagem de um volante infantil colocado no banco do passageiro de um carro.

O Irã começou a cobrar uma espécie de “pedágio” de alguns navios comerciais que passam pelo Estreito, em um movimento que reforça o peso de Teerã sobre o mais importante corredor marítimo de energia do mundo.

Ao mesmo tempo, o país comunicou aos membros da Organização Marítima Internacional que embarcações “não hostis” podem transitar pelo Estreito de Ormuz, desde que coordenem a navegação com as autoridades iranianas, de acordo com o Financial Times.