EUA começam a testar exigência de caução de até R$ 82 mil para vistos

A iniciativa é parte das políticas de imigração endurecidas pelo presidente Donald Trump, que já havia imposto em junho um veto total ou parcial de entrada a cidadãos de 19 países por razões de segurança nacional

Paulo Barros

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O governo dos Estados Unidos lançará, em 20 de agosto, um programa-piloto que poderá obrigar solicitantes de visto de turismo e negócios a pagar cauções de até US$ 15 mil (R$ 82 mil), segundo aviso publicado nesta segunda-feira (4) no diário oficial americano. A medida visa conter o número de visitantes que permanecem no país após o vencimento do visto.

De acordo com o documento, oficiais consulares terão discricionariedade para aplicar a exigência a cidadãos de países com altas taxas de permanência irregular ou onde o processo de triagem e verificação de informações seja considerado insuficiente. Os valores possíveis serão de US$ 5 mil, US$ 10 mil ou US$ 15 mil, com a expectativa de que o patamar mínimo adotado seja de US$ 10 mil.

A iniciativa é parte das políticas de imigração endurecidas pelo presidente Donald Trump, que já havia imposto em junho um veto total ou parcial de entrada a cidadãos de 19 países por razões de segurança nacional. Entre os países com maiores índices de permanência irregular estão Chade, Eritreia, Haiti, Mianmar e Iêmen, além de nações africanas como Burundi, Djibouti e Togo, segundo dados da Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) referentes ao ano fiscal de 2023.

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Um programa semelhante foi anunciado em novembro de 2020, no final do primeiro mandato de Trump, mas não chegou a ser totalmente implementado devido à queda no turismo global causada pela pandemia de Covid-19.

O Departamento de Estado não informou a quantidade estimada de solicitantes que poderão ser afetados. Desde a adoção de medidas mais restritivas, como o veto de viagens, houve recuo na procura pelo destino norte-americano: tarifas aéreas transatlânticas voltaram a níveis pré-pandemia e o fluxo de visitantes do Canadá e do México caiu 20% em relação ao ano anterior.

(com Reuters)

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)