EUA se aproximam de “guerra total” contra o Irã que pode começar em “dias”, diz site

Segundo o Axios, ofensiva pode ser conjunta com Israel e envolver campanha prolongada caso negociações nucleares fracassem

Paulo Barros

Miniatura impressa em 3D do presidente dos EUA, Donald Trump, com a bandeira iraniana ao fundo - 09/01/2026 (Ilustração: REUTERS/Dado Ruvic)
Miniatura impressa em 3D do presidente dos EUA, Donald Trump, com a bandeira iraniana ao fundo - 09/01/2026 (Ilustração: REUTERS/Dado Ruvic)

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O governo de Donald Trump está mais próximo de uma guerra de grande escala contra o Irã, e uma ação militar pode começar em breve, segundo reportagem publicada pelo Axios nesta quarta-feira (28).

De acordo com o site, uma eventual operação dos Estados Unidos teria duração de “semanas” e proporções significativamente maiores do que a ação pontual realizada na Venezuela no mês passado, com cara de “guerra total”.

Fontes ouvidas pelo Axios afirmam que a campanha poderia ocorrer em conjunto com Israel e teria escopo mais amplo do que o conflito de 12 dias liderado por Israel em junho passado, quando os EUA teriam participado de ataques a instalações nucleares subterrâneas iranianas.

O site informa que o governo israelense se prepara para um “cenário de guerra nos próximos dias”, segundo dois oficiais israelenses ouvidos pela publicação. Já fontes americanas disseram ao Axios que o cronograma pode ser mais longo. O senador Lindsey Graham afirmou que eventuais ataques ainda poderiam ocorrer dentro de “semanas”.

Um assessor de Trump declarou ao Axios, sob condição de anonimato, que o presidente estaria “ficando impaciente” e que, apesar de alertas internos contra uma guerra, haveria “90% de chance” de ação militar nas próximas semanas.

Negociações travadas

A escalada ocorre enquanto as negociações nucleares enfrentam dificuldades. Na terça-feira, os conselheiros de Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff, se reuniram por três horas em Genebra com o chanceler iraniano Abbas Araghchi. Ambos os lados disseram que houve progresso, mas autoridades americanas avaliam que as divergências permanecem significativas.

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O vice-presidente J. D. Vance afirmou à Fox News que as conversas “foram bem” em alguns pontos, mas destacou que o presidente estabeleceu “linhas vermelhas” que os iranianos ainda não estariam dispostos a aceitar. Vance acrescentou que Trump quer um acordo, mas pode concluir que a diplomacia “chegou ao seu fim natural”.

Em reação, o petróleo engatou alta firme. Às 12h38, o WTI avançava 3,11%, a US$ 64,27 o barril e o Brent subia 2,92%, US$ 69,39.

Paralelamente, os EUA ampliaram a presença militar no Oriente Médio. O país mobilizou dois porta-aviões, cerca de uma dúzia de navios de guerra, centenas de caças e sistemas de defesa aérea. Mais de 150 voos de carga militar teriam transportado armamentos e munições para a região, e outros 50 caças (modelos F-35, F-22 e F-16) foram deslocados nas últimas 24 horas, informa a imprensa internacional.

Após as reuniões em Genebra, autoridades dos EUA indicaram que o Irã deve apresentar uma proposta detalhada em até duas semanas. O Axios relembra que, em junho do ano passado, a Casa Branca estabeleceu prazo semelhante antes de decidir por uma operação militar.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)