EUA estão usando armas a laser para abater drones e foguetes no Estreito de Ormuz

Reportagem do NY Post, citando fontes do Departamento de Guerra, diz que a tecnologia aplicada no Oriente Médio, já foi testada na fronteira Sul, contra drones do narcotráfico mexicano

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Os Estados Unidos estão usando tecnologia de laser para derrubar drones e mísseis de cruzeiro na região do Estreito de Ormuz em sua guerra contra o Irã, informou o jornal NY Post, citando fontes do Departamento de Guerra. A tecnologia já teria sido testada antes na fronteira sul dos EUA, para abater drones de grupos mexicanos ligados ao narcotráfico.

Segundo o jornal, o projeto para aproveitar o potencial militar do laser está sendo desenvolvido há 50 anos. “Podemos rastrear e mirar drones de forma muito específica e posicionar o ponto exatamente onde desejamos, seja para desativar seus sensores ou explodir o próprio drone”, afirmou ao Post Mark Neice, presidente da Directed Energy Consultants, que colabora com os militares.

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Basicamente, a tecnologia a laser funciona extraindo energia de geradores ou baterias, que é então convertida em partículas de luz chamadas fótons. Os fótons são então concentrados como um único feixe, que só é visível sob luz infravermelha, não a olho nu. Eles aquecem a superfície para onde são direcionados até que ela exploda ou derreta.

“É uma luz armada que gasta vários segundos do que chamamos de ‘tempo de permanência’ no alvo para derrubá-lo”, disse Jared Keller, que divulga o boletim Laser Wars.

“Agora faz sentido realmente levá-los para fora de um laboratório e para ambientes do mundo real. O desenvolvimento mais significativo é o Exército conceder um contrato de meio bilhão de dólares para construir lasers prontos para a guerra [que] focam fótons em um alvo para causar efeitos catastróficos e destrutivos”, acrescentou.

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Um curiosidade apontada na reportagem é que as armas laser são operadas por soldados usando controles reconfigurados de consoles Xbox.

“A indústria de videogames descobriu qual era o melhor controle e agora o exército dos EUA está dizendo: ‘Por que reinventar a roda com um sistema de controle especializado onde você pode simplesmente usar um controle de Xbox ou algo muito parecido para fazer o trabalho?. Se você já disparou um laser Spartan em ‘Halo’, provavelmente pode disparar [uma das armas mais avançadas] na vida real”, afirmou Keller.

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Sobre o uso da tecnologia contra de drogas mexicanos – pelo menos 11 drones foram abatidos até agora –, Brent Ziarnick, pesquisador sênior em estudos de defesa do American Foreign Policy Council, disse que os equipamentos parecem estar sendo bastante eficazes

A tecnologia usada por navios no Oriente Médio e na fronteira sul, até onde os especialistas sabem, não foi usada contra alvos humanos até este momento.

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Sobre uma evolução no sentido de dotar soldados com mochilas laser, isso não deve acontecer tão cedo, segundo os especialistas citados. O motivo é que os lasers implantados no Oriente Médio são grandes e pesados, exigindo que sejam fixados em couraçados.

Esses sistemas, que se parecem muito com câmeras de velocidade, são conhecidos como sistemas de Laser de Alta Energia com Visão Óptica Integrada e Vigilância (HELIOS), que supostamente focam um laser de alta energia de 60 quilowatts para destruir objetos.

Imagens capturadas até agora mostram os lasers sendo testados ou usados em drones menores, mas a Boeing anunciou recentemente um CLWS (Sistema de Arma a Laser Compacto) que pode destruir drones do Grupo 3, que pesam até 1.300 libras (589 quilos).

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Em junho, Pete Hegseth, Secretário de Guerra dos EUA teria participado de uma demonstração de armas a laser em White Sands [Campo de Tiro de Mísseis no sul do Novo México]”, disse Keller. “O Secretário Hegseth conseguiu assumir um controlador e abater um drone com, acho, alguns minutos de treinamento.”

Embora os lasers sejam poderosos, há desvantagens. Eles precisam de céu limpo para funcionar de forma eficaz e têm dificuldade para se defender contra enxames de drones.

Outro ponto negativo é que os lasers consomem muita energia e têm dificuldade para penetrar em neblina, poeira, fumaça e materiais com revestimentos anti-laser.

Mas como destacaram especialistas, os lasers continuam sendo uma ferramenta valiosa no arsenal militar porque, diferentemente de uma arma tradicional, eles não ficam sem balas.”

Navio de transporte anfíbio USS Portland navega pelo Golfo de Aden com sistema de arma laser – 13/12/2021 (Foto: Reprodução do CENTCOM)

Testes

Os testes de uso militar de lasers têm sido publicamente admitidos há mais de 10 anos pelos EUA. O Departamento de Guerra informou anteriormente que a Marinha instalou um laser de 30 quilowatts a bordo do USS Ponce, um navio de transporte anfíbio, em 2014. E que o laser foi amplamente testado e autorizado para uso defensivo.

O Exército, por sua vez, admitiu em 2016 ter instalado um laser de 10 quilowatts, que foi colocado em um caminhão tático de mobilidade expandida pesada — testado durante um experimento integrado de disparos de manobra em Fort Sill, Oklahoma, em abril daquele ano. O laser teria derrubado com sucesso vários veículos aéreos não tripulados, os drones, também conhecidos como VANTs.

Em fevereiro e março de 2017, o Comando Espacial e de Mísseis do Exército dos EUA abateu vários VANTs com um laser de 5 quilowatts montado em um Stryker durante o Hard Kill Challenge no White Sands Missile Range, Novo México.