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Estados Unidos e Israel lançaram neste sábado (28) uma ampla ofensiva aérea contra o Irã, em uma ação que eleva o risco de um conflito regional de grandes proporções. Em vídeo, o presidente Donald Trump prometeu devastar as Forças Armadas iranianas, eliminar o programa nuclear do país e abrir caminho para uma mudança de governo em Teerã.
Em resposta, o Irã disparou ondas de mísseis balísticos contra Israel — onde, até o momento, as autoridades relatam apenas feridos leves — e aparentemente também contra vários países do Golfo que abrigam bases americanas. Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait e Arábia Saudita disseram ter sido alvo dos ataques. O governo emiradense confirmou que ao menos uma pessoa morreu após ser atingida por destroços de míssil.

Foco inicial dos ataques dos EUA ao Irã são alvos militares, diz NYT
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Trump confirma “operação ampla” no Irã e pede que iranianos “assumam governo”
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A reação iraniana foi mais ampla do que na guerra de 12 dias travada em junho passado, quando Teerã mirou apenas Israel e uma base dos EUA no Catar. Neste sábado, o Ministério das Relações Exteriores saudita falou em “ataques flagrantes e covardes” contra a capital, Riad, e a rica região petrolífera do leste do país. No Bahrein, serviços de emergência foram acionados após uma explosão em um edifício residencial na capital, Manama.
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Segundo empresas de navegação e a agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária iraniana, o Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito transportados por navios no mundo — está “praticamente fechado”, com os EUA recomendando que embarcações evitem o Golfo Pérsico. A restrição em um dos principais corredores de energia do planeta deve aumentar o prêmio de risco do petróleo nos próximos pregões.
Em Teerã, ondas de grandes explosões sacudiram a capital e moradores relataram cenas de caos nas ruas, com pessoas correndo em busca de abrigo, tentando localizar familiares ou deixando a cidade de carro. O Exército israelense afirmou ter mirado, já na primeira leva de ataques, um encontro de autoridades de alto escalão do regime iraniano. Imagens de satélite mostraram uma grande coluna de fumaça e danos extensos no complexo de alta segurança associado ao líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, cujo estado de saúde segue incerto.
Trump vinha ameaçando atacar o Irã havia semanas, inicialmente falando em ofensivas “limitadas” para forçar Teerã a aceitar termos americanos sobre o programa nuclear. Em vez disso, optou por uma operação mais ambiciosa. No vídeo divulgado neste sábado, o presidente afirmou que os EUA vão “arrasar a indústria de mísseis” do Irã, “aniquilar sua Marinha” e criar condições para a derrubada do regime, argumentando que o país rejeitou um acordo que evitaria a guerra.
As forças americanas atacaram a partir de bases e porta-aviões posicionados ao redor do Oriente Médio, com autoridades indicando que o foco inicial foram ativos militares iranianos. Israel diz ter atingido cerca de 500 alvos em todo o território iraniano, incluindo sítios de mísseis balísticos e sistemas antiaéreos. Analistas alertam que a escalada pode se transformar em um conflito longo, sem saída clara, e líderes globais têm pedido moderação — embora Canadá e Austrália tenham declarado apoio à ação americana.
A nova crise ocorre menos de um ano após os EUA bombardearem instalações nucleares iranianas, em junho, durante um confronto de 12 dias entre Israel e Irã. À época, Trump declarou repetidas vezes que o programa nuclear do país tinha sido “obliterado”, mas avaliações posteriores indicaram que as capacidades de Teerã haviam sido degradadas, e não completamente destruídas.