EUA e Irã estão tendo “conversas muito boas”, afirma Trump

Trump tem frequentemente ameaçado com ataques em grande escala caso Teerã não chegue a um acordo

Reuters

O presidente dos EUA, Donald Trump, caminha para embarcar no Air Force One ao partir para Dover, Delaware, para acompanhar a cerimônia de traslado solene dos militares do Exército dos EUA mortos na Jordânia e no Iraque — em meio à guerra com o Irã — na Base Conjunta Andrews, Maryland, EUA, em 22 de julho de 2026. REUTERS/Evelyn Hockstein
O presidente dos EUA, Donald Trump, caminha para embarcar no Air Force One ao partir para Dover, Delaware, para acompanhar a cerimônia de traslado solene dos militares do Exército dos EUA mortos na Jordânia e no Iraque — em meio à guerra com o Irã — na Base Conjunta Andrews, Maryland, EUA, em 22 de julho de 2026. REUTERS/Evelyn Hockstein

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DUBAI/WASHINGTON, 5 Ago (Reuters) – O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ⁠que seu governo teve “conversas muito boas” com o Irã durante as negociações que se ⁠estenderam por todo o dia na terça-feira, alimentando as expectativas de um fim iminente ao conflito que já ‌dura cinco meses.

Os preços do petróleo caíram e as ações subiram no mercado asiático nesta quarta-feira, depois que Wall Street atingiu níveis recordes com a esperança de que um acordo pudesse ser alcançado em breve para restabelecer o ‌tráfego pelo Estreito de Ormuz, que está bloqueado.

“Eles tiveram uma negociação que durou o dia inteiro”, disse Trump ao programa “@ Night”, da Fox News. O Estreito de Ormuz “vai ser aberto muito em breve”, acrescentou Trump. “Se eles recuarem novamente, vão ser duramente atingidos.”

Trump tem frequentemente ameaçado com ataques em grande escala caso Teerã não chegue a um acordo e, em seguida, citou avanços nas negociações que, até o momento, não conseguiram pôr fim às hostilidades.

A Axios, citando duas fontes regionais e uma ⁠autoridade norte-americana, ‌informou que os EUA e o Irã estão próximos de um acordo provisório para reabrir o estreito com o ⁠consentimento de Omã, que controla parte da via navegável. A reportagem indicou que Washington pretendia fazer um anúncio nesta quarta-feira.

No entanto, a mídia estatal iraniana, citando uma fonte bem informada, afirmou que um acordo com Omã sobre o estreito — que normalmente transporta cerca de um quinto dos embarques globais de petróleo e gás natural liquefeito — será adiado “enquanto os Estados Unidos continuarem a ameaçar o Irã”.

CATAR TAMBÉM MENCIONA AVANÇOS NAS NEGOCIAÇÕES

Trump ainda não alcançou ​os objetivos que estabeleceu no início da guerra: desmantelar o programa nuclear do Irã, restringir sua capacidade de atacar rivais regionais e criar condições para que os iranianos derrubem seus governantes clericais.

O Irã suspendeu a maior parte ​do tráfego pelo Estreito de Ormuz, enquanto Washington mantém um bloqueio ao transporte marítimo e aos portos relacionados ao Irã.

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O Catar havia afirmado anteriormente que os mediadores estavam obtendo avanços nos esforços para pôr fim ao conflito, mesmo depois que Teerã negou que as negociações estivessem em andamento.

Trump e o emir do Catar, xeque Tamim bin Hamad Al Thani, discutiram esforços para reduzir as divergências entre Washington e Teerã e melhorar as perspectivas de um acordo duradouro durante ‌uma ligação telefônica na terça-feira, informou o gabinete do emir do Catar.

O porta-voz ​do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que as negociações com Omã sobre o trânsito pelo estreito foram positivas e continuam em andamento, com foco no estabelecimento de rotas marítimas seguras, informou a mídia estatal. Ele acrescentou que a rota que está sendo negociada visa ⁠garantir os direitos soberanos e a segurança nacional ​tanto do Irã quanto de ​Omã.

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O Irã há muito tempo exige o controle sobre o Estreito de Ormuz, que, segundo o país, deveria ser compartilhado com Omã, na margem oposta. Mas ⁠Teerã rejeitou, na semana passada, uma proposta de Omã que teria ​permitido a supervisão compartilhada e a cobrança de taxas voluntárias dos navios.

Os houthis do Iêmen, alinhados com o Irã, também impuseram um bloqueio naval à Arábia Saudita no Mar Vermelho, restringindo ainda mais as rotas de exportação de petróleo. Um projétil atingiu uma embarcação ​com bandeira indiana perto do Iêmen, fazendo com que ela virasse e afundasse, mas todos os 14 tripulantes a bordo foram resgatados, informaram autoridades indianas, em um ataque que o Iêmen atribuiu aos ​houthis.

A Organização Marítima Internacional das Nações ⁠Unidas registrou pelo menos 17 mortes de tripulantes em 64 incidentes no Estreito de Ormuz desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.

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Esses números se ⁠somam ao balanço do governo iraniano de 50 mortos e 500 feridos por ataques dos EUA desde que as hostilidades foram retomadas no final de junho — um número divulgado antes de o Irã informar que um ataque dos EUA a Qeshm, no final de julho, matou um casal e seu filho de 2 anos.

Ao todo, o Irã registrou mais de 3.400 mortes desde que os EUA e Israel iniciaram a guerra em 28 de fevereiro, enquanto os EUA registraram 18 militares mortos.