EUA deslocam porta-aviões ao Oriente Médio após agravamento da crise no Irã

Chegada do USS Abraham Lincoln ocorre enquanto Washington mantém opções militares “em aberto” diante da repressão a protestos em Teerã

Marina Verenicz

O porta-aviões nuclear USS Abraham Lincoln (CVN-72), da classe Nimitz, na Estação Aeronaval de North Island, em San Diego, Califórnia, EUA, em 11 de agosto de 2025. REUTERS/Mike Blake/Foto de arquivo
O porta-aviões nuclear USS Abraham Lincoln (CVN-72), da classe Nimitz, na Estação Aeronaval de North Island, em San Diego, Califórnia, EUA, em 11 de agosto de 2025. REUTERS/Mike Blake/Foto de arquivo

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O Exército dos Estados Unidos confirmou nesta segunda-feira (26) a chegada do porta-aviões USS Abraham Lincoln e de seu grupo de escolta ao Oriente Médio, em mais um movimento de reforço militar em uma região marcada pelo aumento das tensões com o Irã.

A mobilização ocorre em meio à repressão violenta do regime iraniano contra manifestações em massa e ao endurecimento do discurso do presidente americano Donald Trump.

Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), responsável pelas operações militares no Oriente Médio, o grupo de ataque do porta-aviões está em missão para “promover a segurança e a estabilidade regional”. O deslocamento partiu do Mar da China Meridional, indicando uma realocação estratégica de ativos navais considerados sensíveis pelo governo americano.

A chegada do porta-aviões ocorre poucos dias após Trump afirmar publicamente que havia ordenado o envio de uma “grande força” da Marinha ao Golfo Pérsico para monitorar de perto a situação no Irã.

Embora o presidente não tenha anunciado uma ação militar direta, reiterou que todas as opções seguem sobre a mesa, especialmente diante da repressão aos protestos que começaram no fim de dezembro e evoluíram para um movimento contra o regime teocrático instaurado após a revolução de 1979.

De acordo com organizações de direitos humanos sediadas nos Estados Unidos, quase 6 mil pessoas teriam morrido durante a repressão às manifestações.

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Trump chegou a condicionar um eventual ataque militar à continuidade das execuções de manifestantes, afirmando que Washington interviria caso as mortes prosseguissem. Posteriormente, recuou no tom ao declarar que Teerã havia suspendido centenas de execuções após pressão internacional.

Do lado iraniano, a resposta foi de alerta e retórica defensiva. O comandante da Guarda Revolucionária, general Mohammad Pakpour, afirmou que a força militar do país está “com o dedo no gatilho” e advertiu contra “erros de cálculo” por parte de Washington.

Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baqai, minimizou o impacto da presença naval americana e disse que o Irã confia em suas próprias capacidades de defesa.

Apesar da aparente moderação no discurso presidencial, a movimentação militar segue avançando. Segundo o Wall Street Journal, Trump considera os recursos navais decisivos para pressionar Teerã, enquanto assessores do Pentágono e da Casa Branca avaliam diferentes cenários, que vão desde opções limitadas — como ataques a instalações da Guarda Revolucionária — até planos mais amplos que poderiam visar a sustentação do regime iraniano.

A combinação de pressão diplomática, retórica política e presença militar reforçada indica que a crise permanece aberta, com impactos potenciais sobre a estabilidade regional e sobre o mercado global de energia, que acompanha de perto os desdobramentos no Golfo Pérsico.