Publicidade
Um grupo de consultores de vacinas descartou na sexta-feira recomendação de longa data para que todas as crianças dos EUA recebam a vacina contra a hepatite B ao nascer, uma importante vitória política para o secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr. que, segundo especialistas em doenças, reverterá décadas de ganhos na saúde pública.
O comitê votou para manter a dose ao nascer apenas para bebês cujas mães tenham resultado positivo para o vírus, substituindo a recomendação universal de 1991 que protegia todas as crianças contra infecções por hepatite B, que podem levar a doenças hepáticas graves.

Governo Trump pretende ampliar proibição de viagens aos EUA para mais de 30 países
Kristi Noem afirmou que mais de 30 nações serão incluídas em nova rodada de restrições de viagem

EUA prendem professor brasileiro de Harvard por atirar chumbinho perto de sinagoga
Gouvêa disse que ‘não sabia que morava perto de uma sinagoga e que estava atirando com sua arma de chumbinho próxima a ela, nem que era um feriado religioso’
Para bebês de mães com teste negativo, o painel recomendou que os pais, em consulta com um profissional de saúde, decidam quando ou se seu filho começará a série de vacinas. De acordo com a recomendação descartada, a dose de nascimento é seguida por mais duas vacinas, entre 1 e 2 meses e entre 6 e 18 meses.
Continua depois da publicidade
O comitê recomendou que os pais ofereçam a primeira dose não antes dos dois meses de idade e que façam o teste de anticorpos contra a hepatite B nas crianças antes de decidir dar as vacinas subsequentes.
Especialistas em saúde pública criticaram a medida, dizendo que a decisão de mudar para a tomada de decisão clínica compartilhada criaria obstáculos ao uso de vacinas e que os pais já têm controle sobre os cuidados com seus filhos.
O dr. William Schaffner, especialista em medicina preventiva e doenças infecciosas do Vanderbilt University Medical Center e ex-membro do comitê, disse que as organizações médicas dos EUA não apoiaram a medida.
‘Acho que a Academia Americana de Pediatria, o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas e outras sociedades importantes continuarão a recomendar a vacina no nascimento’, declarou ele.
O comitê orienta o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA sobre quais recomendações de saúde pública devem ser adotadas. As recomendações afetam a cobertura do seguro de saúde dos EUA e desempenham um papel fundamental na assistência aos médicos que estão escolhendo as vacinas adequadas para os pacientes.
Kennedy muda política de vacinas
Kennedy, que fundou o grupo antivacina Children’s Health Defense, demitiu em junho os 17 especialistas independentes anteriores e os substituiu por um grupo que apoia amplamente seus pontos de vista, como parte de um esforço para refazer a política de vacinas dos EUA.
Continua depois da publicidade
Essa é a mais abrangente das mudanças, que incluem o abandono de recomendações amplas para a vacina contra a Covid, o corte de financiamento para vacinas de mRNA e o aconselhamento de mães grávidas contra o uso de Tylenol, alegando, sem comprovação científica, que estudos sugerem uma ligação com o autismo.
Durante a reunião de dois dias, dois membros do comitê argumentaram veementemente contra a mudança, dizendo que não havia dados para apoiá-la e que havia décadas de informações sobre a segurança e a eficácia da vacina.
‘Veremos mais crianças, adolescentes e adultos infectados com hepatite B’, disse Joseph Hibbeln, ex-funcionário do National Institutes of Health.
Continua depois da publicidade
Muitos membros do comitê argumentaram que não havia dados que demonstrassem que a vacina é segura e disseram que os EUA estavam em descompasso com outros países.
‘As pessoas deveriam desconfiar muito, muito mesmo, quando alguém lhes diz que algo é seguro, especialmente uma vacina’, afirmou o membro do comitê Retsef Levi, matemático do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
A Organização Mundial da Saúde recomenda que todos os bebês recebam a vacina contra a hepatite B assim que possível após o nascimento, seguida de duas ou três doses da vacina com pelo menos quatro semanas de intervalo. Ela afirma que 95% dos recém-nascidos infectados desenvolverão hepatite crônica.
Continua depois da publicidade