EUA ameaçam deixar negociações de paz na Ucrânia “em poucos dias”

Secretário de Estado Marco Rubio afirma que Trump deixará tratativas se não houver sinais claros de progresso imediato

Paulo Barros

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, observa sua chegada ao Quai d'Orsay, no Ministério das Relações Exteriores da França, antes de uma reunião bilateral com seu homólogo francês em Paris, França, em 17 de abril de 2025. JULIEN DE ROSA/Pool via REUTERS
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, observa sua chegada ao Quai d'Orsay, no Ministério das Relações Exteriores da França, antes de uma reunião bilateral com seu homólogo francês em Paris, França, em 17 de abril de 2025. JULIEN DE ROSA/Pool via REUTERS

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Os Estados Unidos decidirão nos próximos dias se continuarão envolvidos nas negociações de paz entre Rússia e Ucrânia. A informação foi confirmada pelo secretário de Estado Marco Rubio, que afirmou na sexta-feira (18) que o governo do presidente Donald Trump encerrará os esforços diplomáticos caso não haja progresso concreto.

“Se estivermos muito distantes de uma solução, o presidente está pronto para dizer que acabou”, declarou Rubio a jornalistas após encontro em Paris com líderes europeus e ucranianos.

As conversas na capital francesa foram organizadas pelo presidente da França, Emmanuel Macron, e contaram com a presença de representantes dos EUA, Reino Unido, Alemanha e Ucrânia. Segundo Rubio, o envolvimento europeu foi construtivo e uma nova rodada de negociações está prevista para a próxima semana em Londres.

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A retomada do diálogo ocorre após meses de impasse. Trump intensificou a pressão por um acordo desde fevereiro, quando voltou a dialogar diretamente com o presidente russo Vladimir Putin e cobrou do líder ucraniano Volodymyr Zelensky uma postura mais flexível. Embora a Ucrânia tenha sinalizado abertura para um cessar-fogo temporário, o Kremlin segue impondo condições, como a cessão de territórios ocupados e o abandono do interesse ucraniano na Otan — exigências que Kyiv rejeita.

Rubio ressaltou que os EUA não pretendem prolongar indefinidamente as negociações. “Não vamos continuar viajando o mundo e realizando reuniões sem avanços”, afirmou. “Queremos saber em questão de dias, não semanas, se a paz é viável.”

Apesar do impasse, Rubio descreveu os encontros em Paris como “muito positivos”. Ele evitou comentar sobre possíveis impactos de uma retirada americana no apoio militar à Ucrânia e não revelou os termos propostos por Washington.

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Na quinta-feira (17), o governo ucraniano anunciou um acordo preliminar com os EUA para compartilhamento de recursos minerais e energéticos — uma demanda de Trump, que vê na parceria uma forma de compensação pelos bilhões de dólares em ajuda militar enviados a Kyiv.

Rubio reforçou que, caso o diálogo não avance, Washington deverá priorizar outras questões. “Se não for possível, vamos seguir em frente com outros temas igualmente ou mais importantes para os EUA”, concluiu.

(com New York Times e Financial Times)

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)