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As autoridades espanholas iniciaram nesta sexta-feira, 8, os preparativos para receber os mais de 140 passageiros e tripulantes de um cruzeiro afetado por um surto de hantavírus que segue em direção às Ilhas Canárias. A previsão é que a embarcação chegue no domingo, 10, à ilha espanhola de Tenerife, na costa oeste da África, onde os passageiros serão retirados sob um rígido protocolo sanitário.
Segundo Virginia Barcones, chefe dos serviços de emergência da Espanha, os passageiros serão levados para uma “área completamente isolada e cercada”. Estados Unidos e Reino Unido já concordaram em enviar aeronaves para repatriar seus cidadãos a bordo.
Embora três pessoas tenham morrido desde o início do surto e cinco passageiros que deixaram o navio tenham sido diagnosticados com hantavírus, a operadora Oceanwide Expeditions afirmou nesta sexta-feira que não há atualmente passageiros com sintomas suspeitos a bordo do navio holandês MV Hondius.
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera baixo o risco de disseminação do vírus para a população em geral. Também nesta sexta-feira, a entidade informou que uma comissária de bordo que teve contato com uma passageira infectada testou negativo para hantavírus, o que ajudou a reduzir preocupações sobre uma possível transmissão mais ampla da doença.
“O risco continua absolutamente baixo. Isso não é uma nova Covid”, afirmou Christian Lindmeier, porta-voz da OMS.
O hantavírus costuma ser transmitido pela inalação de partículas contaminadas por fezes de roedores e, em geral, não apresenta transmissão fácil entre humanos. No entanto, a variante Andes, identificada no surto do cruzeiro, pode, em casos raros, ser transmitida entre pessoas. Os sintomas normalmente aparecem entre uma e oito semanas após a exposição ao vírus.
Autoridades sanitárias em quatro continentes monitoram mais de duas dezenas de passageiros que deixaram o navio antes da confirmação do surto. Equipes de saúde também tentam localizar outras pessoas que possam ter tido contato com esses passageiros.
Passageiros temem reação ao deixarem o navio
Em entrevistas à Associated Press, dois passageiros espanhóis disseram, sob condição de anonimato, que a rotina a bordo segue relativamente tranquila, apesar da tensão causada pelo surto.
Segundo eles, alguns passageiros tentam manter a rotina a bordo, seja lendo em áreas comuns, participando de palestras ou observando a paisagem, sempre usando máscaras e mantendo distanciamento social. Ambos afirmaram, porém, temer a reação das pessoas quando desembarcarem na Espanha.”
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“Estamos assustados com todas as notícias que estão saindo, com a forma como as pessoas vão nos receber”, disse um dos passageiros. “Somos pessoas normais. Ouvimos que esse seria um cruzeiro de milionários, mas isso está longe da realidade.”
As autoridades espanholas tentaram tranquilizar a população das Ilhas Canárias. Segundo o governo, os passageiros serão retirados do navio em pequenas embarcações e levados a ônibus apenas quando os voos de repatriação estiverem prontos para decolar. O transporte ocorrerá em veículos isolados e monitorados, e as áreas do aeroporto utilizadas pelos passageiros serão temporariamente interditadas.
Cerca de 30 passageiros deixaram o navio em 24 de abril
No dia 24 de abril, quase duas semanas após a primeira morte registrada a bordo, mais de 20 passageiros de ao menos 12 países deixaram o navio sem qualquer monitoramento sanitário, segundo autoridades holandesas e a operadora da embarcação. A confirmação do hantavírus em um passageiro só ocorreu em 2 de maio, informou a OMS.
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A comissária da KLM que testou negativo trabalhava em um voo entre Joanesburgo e Amsterdã no dia 25 de abril. Na ocasião, uma passageira holandesa, cujo marido havia morrido no navio, chegou a embarcar, mas precisou deixar a aeronave ainda em Joanesburgo devido ao agravamento de seu estado de saúde. Ela morreu posteriormente.
As autoridades de saúde da Holanda realizam rastreamento dos passageiros que tiveram contato com a mulher antes de sua retirada do voo.
No Reino Unido, autoridades sanitárias informaram nesta sexta-feira que um terceiro cidadão britânico que esteve no cruzeiro é suspeito de ter contraído hantavírus. Ele está na ilha de Tristan da Cunha, território britânico no Atlântico Sul onde o navio fez escala em abril. Não há informações sobre seu estado de saúde.
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Na Espanha, uma mulher da província de Alicante apresentou sintomas compatíveis com hantavírus e está sendo submetida a exames. Ela viajou no mesmo voo da passageira holandesa que morreu em Joanesburgo, informou o secretário de Estado da Saúde, Javier Padilla.
Outros dois britânicos que estiveram no navio já tiveram infecção confirmada. Um está hospitalizado na Holanda e outro, na África do Sul.
Na África do Sul, autoridades rastreiam contatos de passageiros que desembarcaram anteriormente do cruzeiro, especialmente pessoas ligadas a um voo realizado em 25 de abril entre a ilha de Santa Helena e Joanesburgo.
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Nos Estados Unidos, autoridades acompanham um pequeno número de americanos que já retornaram do cruzeiro, além de pessoas que tiveram contato com eles. Nenhum apresentou sintomas até o momento.
O governo americano enviará uma aeronave para repatriar cerca de 17 cidadãos que permanecem a bordo. Eles serão colocados em quarentena na Unidade Nacional de Quarentena da Universidade de Nebraska e do Nebraska Medicine. Segundo o hospital, nenhum apresenta sintomas.
Os médicos definirão posteriormente a duração da quarentena. A unidade especializada em Omaha já foi utilizada anteriormente para tratar pacientes com Ebola e alguns dos primeiros casos de covid-19 nos Estados Unidos.
“Estamos preparados exatamente para situações como esta”, afirmou Michael Ash, diretor-executivo do Nebraska Medicine.
O governo britânico também informou que irá fretar um avião para retirar do navio cerca de duas dezenas de cidadãos do Reino Unido.
