VÍDEO: China exibe poder em IA nas ‘Olimpíadas de Robôs’

Jogos Mundiais de Robôs, em Pequim, testam habilidades de máquinas em esportes e tarefas práticas, com foco em IA e automação

Marina Verenicz

Os organizadores disseram que os jogos oferecem oportunidades valiosas de coleta de dados para o desenvolvimento de robôs para aplicações práticas, como trabalho em fábrica. (Florença Lo/Reuters)
Os organizadores disseram que os jogos oferecem oportunidades valiosas de coleta de dados para o desenvolvimento de robôs para aplicações práticas, como trabalho em fábrica. (Florença Lo/Reuters)

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A China deu início, nesta sexta-feira (15), aos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides, em Pequim, como parte de uma estratégia para exibir seus avanços em inteligência artificial e robótica. Com duração de três dias, o evento reúne 280 equipes de 16 países, incluindo Estados Unidos, Alemanha e Brasil.

Ao mesmo tempo em que diverte o público com robôs jogando futebol e tênis de mesa, a iniciativa tem uma ambição maior: treinar habilidades de coordenação e autonomia para futuras aplicações industriais e sociais, diante do envelhecimento da população chinesa e da corrida global por tecnologias de ponta, especialmente contra os EUA.

As competições incluem desafios esportivos, como corrida de 1.500 metros, e testes funcionais, como manuseio de medicamentos, tarefas de limpeza e simulação de trabalho em fábrica.

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Durante os jogos, quedas e falhas foram frequentes, especialmente nas partidas de futebol, em que os humanoides colidiam, tombavam e exigiam assistência humana. Ainda assim, muitos conseguiram se levantar sozinhos, recebendo aplausos do público, que pagou de 128 a 580 yuans (cerca de R$ 97 a R$ 440) por ingresso.

Mais que espetáculo

Os organizadores defendem que o evento serve como plataforma de experimentação e coleta de dados para aplicações reais. A movimentação dos robôs em campo, por exemplo, simula coordenação entre unidades autônomas em linhas de montagem industriais.

Das 280 equipes, 192 representam universidades e 88 vêm do setor privado, incluindo empresas chinesas como Unitree, Fourier Intelligence e Booster Robotics, fornecedoras dos modelos utilizados por quase todos os participantes.

Bilhões em jogo

Os jogos fazem parte de uma série de eventos organizados pela China para acelerar o desenvolvimento de robôs humanoides, com forte incentivo do governo. Pequim já realizou, só neste ano, a que chamou de primeira maratona de robôs humanoides do mundo, uma conferência nacional de robótica e inaugurou lojas especializadas em robôs no varejo.

Segundo relatório do Morgan Stanley, o público nas conferências de robótica na China cresceu de forma expressiva nos últimos meses, sinalizando que o interesse por inteligência incorporada vai além dos altos escalões do governo e começa a mobilizar a sociedade.

O investimento maciço acontece no momento em que a China busca soluções automatizadas para lidar com a escassez de mão de obra causada pelo envelhecimento da população e deseja ocupar protagonismo global na corrida por tecnologias disruptivas, especialmente em um cenário de competição crescente com os Estados Unidos.