Fim da guerra? Trump recebe Zelensky nos EUA e fala em “último estágio” para acordo

O encontro ocorre em meio à intensificação dos ataques russos, e após ligação de Trump para Putin

Paulo Barros

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, respondem a perguntas da imprensa enquanto Zelenskiy chega para reuniões no clube Mar-a-Lago de Trump em Palm Beach, Flórida, EUA, em 28 de dezembro de 2025. REUTERS/Jonathan Ernst
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, respondem a perguntas da imprensa enquanto Zelenskiy chega para reuniões no clube Mar-a-Lago de Trump em Palm Beach, Flórida, EUA, em 28 de dezembro de 2025. REUTERS/Jonathan Ernst

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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, se reúne com o presidente americano, Donald Trump, neste domingo (28), na Flórida, nos Estados Unidos. O encontro ocorre um dia após um ataque russo em larga escala com mísseis e drones contra Kiev e outras regiões do país.

A reunião, realizada em Mar-a-Lago, propriedade de Trump, tem como foco a tentativa de concluir um acordo de paz para encerrar quase quatro anos de guerra iniciada com a invasão russa à Ucrânia.

Ao receber Zelensky, Trump disse acreditar que os dois lados querem e que as negociações são difíceis, mas estão avançando. “Nós estamos no último estágio das conversas”, disse. “Acho que podemos avançar rapidamente.”

O presidente ucraniano agradeceu Trump pelo encontro e disse que sua equipe tem trabalhado em um acordo de paz e em garantias de segurança.

O que será discutido

Segundo Zelensky, as conversas devem tratar de acordos de segurança, temas econômicos e questões territoriais. Um dos principais pontos é o futuro da região de Donbas, no leste da Ucrânia, parcialmente ocupada pela Rússia, onde Kiev e Moscou mantêm posições divergentes.

“Se as decisões serão tomadas, isso depende de nossos parceiros – aqueles que ajudam a Ucrânia e aqueles que pressionam a Rússia para que os russos sintam as consequências de sua própria agressão”, afirmou Zelensky em uma publicação nas redes sociais neste domingo.

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As negociações avançaram nas últimas semanas com a troca de rascunhos de um plano de paz de 20 pontos entre representantes dos dois países. Zelensky afirmou que o texto está cerca de 90% concluído, avaliação semelhante à de autoridades americanas após reuniões realizadas no início do mês, em Berlim.

O plano prevê garantias de segurança à Ucrânia. Zelensky indicou disposição para abrir mão da tentativa de adesão imediata à Organização do Tratado do Atlântico Norte, a NATO, desde que o país receba proteção equivalente à oferecida a membros da aliança.

Contatos com Putin e europeus

Antes de se encontrar com Zelensky, Trump afirmou ter conversado por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, ligação confirmada pelo Kremlin. Putin mantém a posição de não aceitar um cessar-fogo sem que haja um acordo fechado.

Durante a reunião na Flórida, Trump e Zelensky devem realizar uma ligação conjunta com líderes europeus, segundo um porta-voz do governo ucraniano. Zelensky também manteve, nos últimos dias, conversas com autoridades europeias e se reuniu no sábado com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, que anunciou novos recursos para a reconstrução da Ucrânia.

Trump afirmou que a reunião “vai correr bem” e indicou ter papel central no avanço das negociações. No sábado, porém, Putin foi taxativo: disse que se Ucrânia não aceitar acordo, alcançará seus objetivos “pela força”.

Guerra se acirra

O encontro ocorre em meio à intensificação dos ataques russos. No fim de semana, a Rússia lançou centenas de drones e mísseis contra a Ucrânia, atingindo Kyiv e a cidade de Kherson. Ao menos uma pessoa morreu e outras 27 ficaram feridas, segundo autoridades ucranianas. Partes da capital ficaram sem energia elétrica, e os danos à infraestrutura seguem em avaliação.

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Segundo Kiev, apenas nesta semana, a Rússia lançou mais de 2.100 drones de ataque, cerca de 800 bombas aéreas guiadas e 94 mísseis de diversos tipos.

(com Reuters e Associated Press)

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)