Eleições no Reino Unido têm favoritismo dos trabalhistas. Entenda a disputa

Eleitores vão escolher os 650 representantes da Câmara dos Comuns em eleição antecipada; pesquisas mostram que Partido Trabalhista pode obter supermaioria, encerrando 14 anos de domínio conservador

Roberto de Lira

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O Reino Unido realiza nesta quinta-feira (4) uma eleição antecipada para o Parlamento britânico, que deve marcar a saída do Partido Conservador do poder após 14 anos seguidos de domínio. Desde o ano passado, as pesquisas de opinião vêm mostrando a liderança das preferências dos eleitores pelo Partido Trabalhista, que deve conseguir uma maioria esmagadora de votos hoje.

A população deve punir o legado dos conservadores, que tiveram gestões erráticas de vários primeiros-ministros, especialmente após o Brexit, a saída do país da União Europeia – decidida em referendo popular em 2016 e sacramentada oficialmente em 2020. Há uma percepção generalizada de perda de poder financeiro, aumento de pobreza e piora de indicadores sociais.

Para entender melhor o que está em disputa o InfoMoney preparou um guia das eleições britânicas com informações e curiosidades. Veja abaixo:

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O que está em disputa?

Há 650 assentos na Câmara dos Comuns em disputa, a grande maioria deles (533) na Inglaterra, a maior e mais populosa parte do Reino Unido. A Escócia tem 59 assentos, o País de Gales 40 e a Irlanda do Norte 18. Em média, cada cadeira corresponde a cerca de 92 mil pessoas, ou 68 mil eleitores, de acordo com estimativas da The Economist. O partido político que ganha a maioria dos assentos no Parlamento em uma eleição geral geralmente forma o novo governo e seu líder torna-se primeiro-ministro. Ele é então “convidado” pelo monarca para montar um governo.

Quanto dura o mandato?

O mandato máximo de um Parlamento é de cinco anos, a contar da data em que se reuniu pela primeira vez. O Parlamento destituído em maio reuniu-se pela primeira vez em 17 de dezembro de 2019. Assim, teria de ser dissolvido automaticamente apenas em 17 de dezembro de 2024, se as eleições não tivessem sido antecipadas.

Por que Rishi Sunak antecipou as eleições?

O Partido Conservador está em seu pior momento na história em termos de preferência eleitoral e Sunak percebeu que o resultado poderia ser até pior se esperasse até dezembro. De forma consistente, os trabalhistas têm liderado as pesquisas desde 2022, chegando atualmente a 20 pontos percentuais de vantagem. Além disso, há um nítido avanço tanto dos liberais democratas como do partido direitista Reform UK, que têm roubado votos dos conservadores. Para tentar conter essa sangria, o primeiro-ministro teve de dissolver o Parlamento e chamar a eleição.

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Porque a eleição acontece numa quinta-feira?

Não há exigência legal para que as eleições parlamentares sejam realizadas às quintas-feiras; uma vez que elas podem ser realizadas em qualquer dia da semana. No entanto, o uso das quintas-feiras se tornou uma convenção eleitoral desde 1935. A Lei dos Parlamentos especificava que as eleições deveriam se realizar normalmente na “primeira quinta-feira de maio”, mas esta lei foi revogada recentemente.

Quais partidos disputam as eleições?

Os principais partidos que disputam as preferências dos eleitores do Reino Unido são: o Partido Conservador, de centro-direita e sob a liderança do primeiro-ministro Rishi Sunak; o Partido Trabalhista, de centro-esquerda e que é liderado por Keir Starmer – provável futuro primeiro-ministro; o Partido Liberal Democrata, também do centro progressista e cujo líder é Ed Davey; o Partido Reformista (Reform UK), agremiação de direita com plataforma fortemente anti-imigração e eurocética, sob a batuta de Nigel Farage, conhecido como “pai do Brexit”; o Partido Nacional Escocês (SNP), comandado por João Swinney; e o Partido Verde, liderado pelos ativistas de energia sustentável Carla Denyer e Adrian Ramsay.

Quais são as projeções?

Segundo a média das pesquisas divulgadas nos últimos meses, o Partido Trabalhista deve varrer as eleições, conquistando algo como 484 cadeiras, um número maior até do que o obtido sob o comando de Tony Blair em 1997, na onda do “Novo Trabalhismo”. Na última legislação, a agremiação tinha 209 representantes no Parlamento. Já os Conservadores verão sua presença cair dos 345 da última legislatura para apenas 64 assentos. Com isso, ficarão próximos até das 61 cadeiras esperadas pelos Liberais Democratas, que estavam com 15 assentos. O SNP deve conseguir até 10 cadeiras, o Reform UK vai chegar a 7 e os Verdes a 3.