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Em meio à comoção pelo aniversário de três anos dos ataques do Hamas a Israel, os israelenses estão próximos de uma da mais importantes eleições parlamentares de sua história, no dia 27 de outubro. E a incerteza sobre o futuro político do país só cresce, pois nem a coalizão de Benjamin Netanyahu, nem a encabeçada por seus opositores conseguiu até aqui mostrar força para conquistar ao assentos necessários para governar.
O parlamento de Israel, o Knesset, tem 120 cadeiras. Para formar um governo, um partido ou coalizão de partidos precisa garantir pelo menos 61 dessas cadeiras.
As pesquisas mais recentes mostraram que a união entre partido Likud (de Netanyahu) e as agremiações ultraortodoxas e de extrema-direita conquistaria algo entre 49 e 52 cadeiras. Seu principal desafiante é partido Yashar, do ex-chefe militar Gadi Eisenkot, que no momento consegue liderar uma oposição com algo próximo de 54 lugares.
Estima-se que os partidos não-alinhados a nenhuma dessa duas forças possam conseguir entre 12 e 17 cadeiras no parlamento, segundo as pesquisas.
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Partidos árabes
Assim, o futuro controle do Knesset passaria pelos partidos da minoria árabe em Israel – Ra’am e Joint List.
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Segundo análise do Arab Centre em Washington, Eisenkot enfrenta um dilema: ele precisa dessas cadeiras para alcançar a maioria, mas depender delas poderia alienar eleitores centristas e de direita. E o noticiário local mostra que a campanha do Likud já está tentando capitalizar essa vulnerabilidade eleitoral.
Ao mesmo tempo, o partido de Netanyahu está fazendo pressão jurídica contra as siglas de maioria árabe. No final de setembro, o Comitê Central de Eleições de Israel desqualificou todos esses partidos de concorrer às eleições do Knesset em outubro. Mas dias depois a Suprema Corte anulou por unanimidade essas proibições.
Para os analistas, essa estratégia do primeiro-ministro é mais ampla: “ele parece estar trabalhando para impedir que qualquer outra pessoa forme um novo governo, mantendo-o no cargo de primeiro-ministro interino até que Israel realize outra rodada de eleições”, diz o Arab Center.
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De fato, Segundo a lei israelense, o governo cessante continua governando o país até que uma nova coalizão seja formada e empossada.
Histórico de crises políticas
Esse cenário não é novo para Israel. Entre abril de 2019 e novembro de 2022, Israel realizou cinco eleições. Netanyahu conseguiu permanecer primeiro-ministro durante a maior parte desse período de crise política, usando várias manobras para prolongar seu mandato.
Por exemplo, em maio de 2019, diante de um impasse como o de hoje, ele pressionou o Knesset a se dissolver em vez de se afastar e permitir que outro parlamentar tivesse a chance de formar governo.
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Em 2020, Netanyahu formou uma coalizão com o rival Benny Gantz sob um acordo de compartilhamento de poder que, presumivelmente, teria dado a Gantz o cargo de primeiro-ministro em novembro de 2021. Em vez disso, o governo entrou em colapso em dezembro de 2020 após não aprovar um orçamento, desencadeando novas eleições e permitindo que Netanyahu permanecesse como primeiro-ministro interino até junho de 2021.
“No fim das contas, Netanyahu não precisa vencer a próxima eleição. Ele só precisa garantir que todos os outros percam”, diz o centro de estudos em Washington.
Uma garantia que Netanyahu tem em mãos é que o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 continua como uma questão central para a maioria dos israelenses na decisão de voto.
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O jornal The Times of Israel noticiou pesquisa do Instituto de Democracia de Israel (IDI) apontando que cerca de 62% dos israelenses dão importância ao tema nas eleições, considerando a questão como a principal do país. Essa centralidade da questão entre a maioria dos israelenses judeus era o dobro da captada entre a minoria árabe.
Segundo o jornal, a fragmentação do cenário político israelense, inclusive em questões como reforma judicial, política ultraortodoxa, movimento dos colonos e o papel dos cidadãos palestinos em Israel, também pode ser decisiva para determinar o que vem a seguir.