Economia em frangalhos, protestos e mortes: veja linha do tempo da crise no Irã

Protestos começaram em 28 de dezembro, por conta da crescente perda do poder de compra da população e da insatisfação com as soluções apresentadas pelo governo

Roberto de Lira Agências de notícias

Manifestantes iranianos bloqueiam rua durante protesto em Teerã – 08/01/2026 (Foto: Stringer/WANA via REUTERS)
Manifestantes iranianos bloqueiam rua durante protesto em Teerã – 08/01/2026 (Foto: Stringer/WANA via REUTERS)

Publicidade

Com o número de mortes provocadas pela forte repressão dos agentes de segurança do Irã contra manifestantes nas ruas chegando à casa dos milhares, é importante saber detalhes da motivação dos protestos. Com em outras ocasiões recentes, a resposta está na economia, ou mais precisamente na insatisfação generalizada da população com as crescentes perdas do poder de compra, acentuadas pelas sanções econômicas do país e por orçamentos que privilegiam gastos militares.

Leia também: Cerca de 2.000 morreram em protestos no Irã, diz autoridade iraniana

Um dado que precipitou as queixas públicas foi a forte desvalorização da moeda local, o rial, ante o dólar. A divisa iraniana perdeu 16% do valor apenas em dezembro, quando a relação passou ao recorde de 1,47 milhão por dólar – no ano passado, essa depreciação chegou a cerca de 84%.

Continua depois da publicidade

Em 2025, a inflação dos alimentos no Irã atingiu uma taxa anual de 72%, quase o dobro da média recente e as pessoas passaram a vender ouro e até seu móveis para juntar dólares. O Grande Bazar de Teerã, um local que funciona como uma caixa de ressonância e um termômetro dos humores da população, começou a registrar vários protesto.

A economia, na verdade vem cambaleando há tempos. O PIB, que chegou a crescer a taxas de 9% no início dos anos 2000, retrocedeu para patamares inferiores a 3% recentemente. A perda de receitas do petróleo por conta das sanções criou grandes déficits orçamentários, que o governo financiou por meio de expansão monetária, alimentando a inflação.

O confronto com Israel e EUA de 12 dias no ano passado só piorou a situação das contas públicas, com os investimentos despencando pelo temor de novos ataques. O novo presidente, Masoud Pezeshkian, propôs um orçamento com validade para março de 2026 com muitos cortes de verbas e previsão de alta de impostos para conter a sangria dos cofres públicos.

Os novos protestos, no entanto, começaram após o anúncio da eliminação de alguns subsídios, como o do preços dos combustíveis. Nem mesmo o anúncio de mais transferência para as famílias mais necessitadas ajudou.

Leia também: Trump ameaça tarifa de 25% a países que fizerem negócios com o Irã

O InfoMoney preparou uma linha do tempo sobre os atuais protestos, que eclodiram na última semana de 2025. Confira abaixo:

Continua depois da publicidade

13/12/2025

Governo cria uma nova faixa de preços da gasolina subsidiada, gerando críticas; essa foi a primeira grande mudança desde 2019, que motivou grandes protestos

28/12/2025

Continua depois da publicidade

Protestos irrompem no Grande Bazar de Teerã após a moeda rial atingir seu ponto mais baixo em relação à divisa americana: 1,47 milhão por dólar

29/12/2025

O chefe do Banco Central, Mohammad Reza Farzin, renuncia ao cargo enquanto os protestos se espalham para outras cidades; polícia dispersa multidão em Teerã com uso de gás lacrimogêneo

Continua depois da publicidade

30/12/2025

Estudantes em vários campi universitários se juntam às manifestações; presidente Masoud Pezeshkian promete a líderes empresariais que vai se esforçar para resolver os problemas da economia

31/12/2025

Continua depois da publicidade

Irã nomeia Abdolnasser Hemmati como novo presidente do BC do país; na cidade de Fasa, houve invasão do gabinete do governador e agressões contra policiais, segundo informações do governo

01/01/2026

São relatadas as primeiras mortes de manifestantes – o governo fala em sete pessoas – e vídeos mostrando a repressão em várias províncias começam a viralizar nas redes

02/01/2026

O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça o Irã na plataforma Truth Social, caso o governo continue a “matar violentamente manifestantes pacíficos”; protestos se expandem para mais de 100 locais em 22 das 31 províncias do Irã

03/01/2026

Líder Supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, diz que “os manifestantes devem ser colocados em seu lugar”; número de mortes é estimado em 15, com 580 prisões

06/01/2026

Um protesto no Grande Bazar de Teerã é reprimido com violência pelas forças de segurança; manifestações chegam a mais de 280 locais, em 27 das 31 províncias do Irã

08/01/2026

Governo bloqueia a internet e as ligações telefônicas internacionais, após população gritar nas janelas, motivada por um chamado do príncipe herdeiro exilado do Irã

09/01/2026

Mídia estatal se refere aos manifestantes como “terroristas”, o que é visto como preparação para uma repressão violenta como a dos protestos de 2019; Irã diz à ONU que EUA são culpados por protestos violentos

10/01/2026

Procurador-geral do Irã alerta que qualquer pessoa que participe de protestos será considerada um “inimigo de Deus”, acusação passível de pena de morte; número de mortos chega a 116

11/01/2026

Trump diz que o Irã propôs negociações após sua ameaça de atacar o país; grupo de direitos humanos diz que o número de mortos nos protestos passou de 500

12/01/2026

Manifestações pró-governo atraem dezenas de milhares de pessoas às ruas, mas autenticidade de vídeos é questionada por suposto uso de IA; o número de mortos sobe para pelo menos 646; Trump diz que vai taxar em 25% qualquer país que mantiver negócios com o Irã

13/01/2026

Autoridade iraniana diz que cerca de 2 mil pessoas foram mortas na últimas semanas, incluindo pessoal das forças de segurança