E. Jean Carroll recebe US$5,63 mi devidos por Trump em caso de abuso sexual

Apesar das objeções de Trump, o dinheiro ‌foi liberado para o escritório de advocacia de Carroll na segunda-feira

Reuters

A escritora E. Jean Carroll deixa a 2ª Corte de Apelações dos EUA em Nova York, onde o ex-presidente Donald Trump buscava reverter a condenação de US$ 5 milhões por abuso sexual e difamação. Carroll acusa Trump de tê-la estuprado há quase três décadas. Foto registrada em 6 de setembro de 2024.
REUTERS/Adam Gray
A escritora E. Jean Carroll deixa a 2ª Corte de Apelações dos EUA em Nova York, onde o ex-presidente Donald Trump buscava reverter a condenação de US$ 5 milhões por abuso sexual e difamação. Carroll acusa Trump de tê-la estuprado há quase três décadas. Foto registrada em 6 de setembro de 2024. REUTERS/Adam Gray

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NOVA YORK, 14 Jul (Reuters) – A ⁠escritora E. Jean Carroll recebeu quase US$5,63 milhões ⁠de Donald Trump depois que, em 2023, um júri considerou o ‌presidente dos EUA responsável por ter abusado sexualmente dela e por difamá-la, segundo mostram os autos do processo.

Apesar das objeções de Trump, o dinheiro ‌foi liberado para o escritório de advocacia de Carroll na segunda-feira, cinco dias depois que o juiz federal Lewis Kaplan autorizou o desembolso a partir de uma conta supervisionada pelo tribunal.

O pagamento corresponde à indenização civil original de US$5 milhões, acrescida de juros.

É a primeira vez que Trump é obrigado ⁠a ‌pagar a Carroll. Ela obteve US$88,3 milhões em sentenças civis contra o ⁠presidente nos sete anos desde que ele negou, pela primeira vez, ter estuprado-a por volta de 1996, em um provador da loja de departamentos Bergdorf Goodman, em Manhattan.

Trump classificou as alegações de Carroll como uma farsa, negou conhecê-la, afirmou que ela inventou o suposto estupro para ​ajudar a vender suas memórias e ridicularizou o caso como um caso de “instrumentalização da Justiça”. No mês passado, a Suprema Corte dos EUA ​rejeitou o recurso de Trump contra a sentença de US$5 milhões.

Um porta-voz da equipe jurídica de Trump repetiu nesta terça-feira uma declaração feita após a decisão de Kaplan: “O povo norte-americano está ao lado do presidente Trump ao exigir o fim imediato de todas as caças às bruxas, incluindo ‌a farsa financiada pelos democratas das mentiras de ​Carroll.”

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TRUMP ALERTOU SOBRE “DANO IRREPARÁVEL”

Na semana passada, o advogado de Trump solicitou a um tribunal federal de apelação que bloqueasse o pagamento, alegando que o presidente sofreria “dano irreparável” caso Carroll cumprisse ⁠sua intenção declarada de doar ​o dinheiro, já ​que provavelmente não seria possível recuperá-lo.

O advogado também afirmou que não importava que Carroll agora garantisse ⁠que colocaria o dinheiro em uma conta ​que rende juros para financiar sua aposentadoria, pois ela ainda poderia doá-lo.

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Os jurados concederam a Carroll US$5 milhões com base na negação de Trump em 2022, embora ​não tenham concluído que Trump a tenha estuprado.

Em 2024, um outro júri condenou Trump a pagar US$83,3 milhões a Carroll, com ​base em sua negação ⁠original de 2019, durante seu primeiro mandato na Casa Branca.

Espera-se que Trump recorra desse veredicto à ⁠Suprema Corte.

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A advogada de Carroll, Roberta Kaplan — que não tem parentesco com o juiz —, disse em comunicado: “Há três anos, um júri unânime de nove pessoas considerou o presidente Trump responsável por agredir sexualmente e difamar E. Jean Carroll. Temos o prazer de informar que ela recebeu a indenização que o júri lhe ​concedeu.”

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