“É bom que parem agora!”: Trump ameaça Irã por suposta cobrança de taxas em Ormuz

Americano diz que cobrança de pedágios violaria o direito marítimo internacional e põe em risco o frágil cessar-fogo, enquanto mais de 800 navios seguem presos no Golfo Pérsico

Bloomberg

O presidente dos EUA, Donald Trump, reage enquanto responde a perguntas da imprensa durante uma coletiva na Sala de Briefing James S. Brady, na Casa Branca, em Washington, D.C., Estados Unidos, em 6 de abril de 2026. REUTERS/Evelyn Hockstein
O presidente dos EUA, Donald Trump, reage enquanto responde a perguntas da imprensa durante uma coletiva na Sala de Briefing James S. Brady, na Casa Branca, em Washington, D.C., Estados Unidos, em 6 de abril de 2026. REUTERS/Evelyn Hockstein

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O presidente Donald Trump advertiu o Irã para que não cobre pedágios de embarcações que passam pelo Estreito de Ormuz, já que o tráfego permanece amplamente restrito, apesar de um acordo de cessar-fogo que incluía a abertura da rota marítima crucial.

“Há relatos de que o Irã está cobrando taxas de petroleiros que passam pelo Estreito de Ormuz”, escreveu Trump em uma publicação nas redes sociais nesta quinta-feira. “É bom que não estejam e, se estiverem, é bom que parem agora!”

A declaração de Trump sinaliza que os EUA podem se opor a qualquer novo arranjo em que o Irã use sua posição estratégica no estreito para cobrar pedágios. O Irã já havia sugerido anteriormente que as taxas poderiam ser usadas para a reconstrução após a guerra.

No início desta semana, Trump disse a repórteres que tinha “um conceito” segundo o qual os próprios EUA cobrariam essas taxas de passagem.

“Eu preferiria fazer isso do que deixar que eles fiquem com isso”, disse Trump na segunda-feira. “Por que não deveríamos? Nós somos os vencedores. Vencemos, certo?”

Os EUA e o Irã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas na guerra, e as duas partes terão conversas diretas no Paquistão neste fim de semana.

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Tais pedágios geralmente são considerados uma violação do direito marítimo internacional, que promove a navegação pacífica pelas rotas aquaviárias do mundo e impede que países litorâneos dificultem a passagem.

O Irã avançou nos planos de cobrar as taxas mesmo antes do anúncio do cessar-fogo. Em um comunicado no Telegram, o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, declarou nesta quinta-feira que o país “com certeza levará a gestão do Estreito de Ormuz a uma nova fase”.

A situação do estreito é um dos principais pontos de tensão que ameaçam o frágil cessar-fogo entre EUA e Irã, às vésperas das conversas em Islamabad neste fim de semana. O estreito é rota de aproximadamente um quinto de todo o petróleo e gás natural liquefeito comercializado no mundo. O Irã fechou Ormuz depois que EUA e Israel lançaram ataques.

Mais de 800 cargueiros estão parados dentro do Golfo Pérsico, em sua maioria aguardando para sair, e armadores e grupos de seguradoras têm alertado que serão necessários mais detalhes para avaliar se a travessia é segura.

Apenas três navios foram vistos deixando a região na quarta-feira, segundo dados de rastreamento de embarcações compilados pela Bloomberg. Em condições normais, cerca de 135 navios cruzam o estreito diariamente.

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