Drones FPV: como equipamentos de R$ 3 mil viraram armas eficazes da Ucrânia

Com origem civil, drones de corrida adaptados destruíram 41 aviões militares russos e mudam dinâmica da guerra

Paulo Barros

Drones com visão em primeira pessoa (FPV) são vistos em uma posição de linha de frente dos militares das Forças Armadas Ucranianas, em meio ao ataque da Rússia à Ucrânia, perto da cidade de Kostiantynivka, na região de Donetsk, Ucrânia, em 23 de maio de 2025. Iryna Rybakova/Serviço de Imprensa da 93ª Brigada Mecanizada Separada de Kholodnyi Yar das Forças Armadas Ucranianas/Divulgação via REUTERS
Drones com visão em primeira pessoa (FPV) são vistos em uma posição de linha de frente dos militares das Forças Armadas Ucranianas, em meio ao ataque da Rússia à Ucrânia, perto da cidade de Kostiantynivka, na região de Donetsk, Ucrânia, em 23 de maio de 2025. Iryna Rybakova/Serviço de Imprensa da 93ª Brigada Mecanizada Separada de Kholodnyi Yar das Forças Armadas Ucranianas/Divulgação via REUTERS

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A ofensiva da Ucrânia contra bases aéreas russas no domingo (1º) destacou o protagonismo de uma tecnologia simples e acessível: os drones FPV (First Person View). Equipamentos que custam menos de R$ 3 mil foram adaptados para fins militares e usados na operação Teia de Aranha, que destruiu 41 aeronaves estratégicas da Rússia, incluindo bombardeiros Tu-95 e aviões de vigilância A-50.

Como funcionam os drones FPV

Os drones FPV foram inicialmente desenvolvidos para uso civil, como filmagens de corridas ou atividades recreativas. No entanto, por serem compactos, ágeis e de difícil detecção por radares, passaram a ser incorporados por militares ucranianos para ataques de precisão.

Soldado ucraniano da 72ª Brigada Mecanizada Separada Chorni Zaporozhtsi das Forças Armadas Ucranianas, com o indicativo de chamada “Mikha”, opera um drone com visão em primeira pessoa (FPV) em direção às tropas russas, durante o cessar-fogo de três dias proposto unilateralmente pela Rússia, declarado em meio ao ataque russo à Ucrânia, perto de uma linha de frente na região de Dnipropetrovsk, Ucrânia, em 8 de maio de 2025. REUTERS/Alina Smutko

Esses drones são operados por controle remoto com visão em tempo real, permitindo ao piloto manobrá-los com precisão até o alvo. Alguns modelos pesam até 3 kg e podem carregar ogivas explosivas. A Ucrânia desenvolveu variantes específicas como o “Baba Yaga”, capaz de transportar até 15 kg de explosivos e equipado com câmeras térmicas para ações noturnas.

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Soldado ucraniano da 72ª Brigada Mecanizada Separada Chorni Zaporozhtsi das Forças Armadas Ucranianas, com o indicativo de chamada “Mikha”, opera um drone com visão em primeira pessoa (FPV) em direção às tropas russas, durante o cessar-fogo de três dias proposto unilateralmente pela Rússia, declarado em meio ao ataque russo à Ucrânia, perto de uma linha de frente na região de Dnipropetrovsk, Ucrânia, em 8 de maio de 2025. REUTERS/Alina Smutko

Vantagens militares

Segundo a inteligência ucraniana, 117 drones foram usados na operação, que gerou prejuízo estimado em mais de US$ 7 bilhões. A escolha pelos FPV se deu pelo baixo custo, facilidade de produção em larga escala e dificuldade de interceptação.

Ao contrário de mísseis convencionais, os drones FPV não exigem infraestrutura complexa para lançamento e podem ser usados em táticas de infiltração, como a aplicada na Teia de Aranha, em que os drones foram transportados clandestinamente dentro de caminhões até bases militares russas a milhares de quilômetros do front.

(com Financial Times, AP e Reuters)

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)