Domo de Ouro: como funciona o sistema de defesa de R$ 1 trilhão dos EUA

O projeto recém anunciado prevê proteger país contra ataques até mesmo antes do lançamento dos mísseis

Agência O Globo

Um visitante acena com uma bandeira americana perto do Capitólio dos EUA, enquanto a Câmara dos Representantes dos EUA considera o amplo projeto de lei de redução de impostos do presidente Donald Trump - 19/05/2025 (Foto: REUTERS/Nathan Howard)
Um visitante acena com uma bandeira americana perto do Capitólio dos EUA, enquanto a Câmara dos Representantes dos EUA considera o amplo projeto de lei de redução de impostos do presidente Donald Trump - 19/05/2025 (Foto: REUTERS/Nathan Howard)

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na terça-feira o projeto denominado “Golden Dome” — ou “Domo de Ouro”, em tradução literal. Trata-se de um sistema de defesa aérea desenvolvido para impedir a entrada de mísseis em território americano, semelhante ao utilizado por Israel para interceptar foguetes e mísseis disparados por seus inimigos regionais. Segundo Trump, a iniciativa deverá custar cerca de US$ 175 bilhões (aproximadamente R$ 1 trilhão) e a expectativa é de que esteja concluída até o final de seu mandato, em 2029.

O programa tem como objetivo criar uma rede composta por centenas de satélites, capazes de detectar, rastrear e, se necessário, interceptar mísseis. A proposta é que o sistema atue em todas as fases de um possível ataque: antes do lançamento, durante o trajeto e nos momentos finais, pouco antes do impacto.

O novo projeto é concebido como a finalização de uma visão ambicionada inicialmente pelo ex-presidente Ronald Reagan, cujo sistema de defesa antimísseis Strategic Defense Initiative, apelidado de “Star Wars”, envolvia objetivos excessivamente ambiciosos e nunca foi concluído. Ele seria um sistema de defesa antimísseis de última geração.

Agora, décadas depois, o governo Trump retoma essa ambição com o “Domo de Ouro”, ainda que o otimismo do presidente contraste com a cautela de especialistas do setor, que demonstram ceticismo quanto ao cronograma e ao custo estimado do projeto.

— O novo ponto de referência é US$ 175 bilhões, mas a questão permanece: por quanto tempo? Provavelmente serão 10 anos — afirmou Tom Karako, analista do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), em entrevista à agência Reuters.

Ele acrescentou, que a expertise em software do Vale do Silício e de outras partes dos Estados Unidos pode ser aproveitada para impulsionar avanços no projeto, integrando tecnologias emergentes aos sistemas de defesa antimísseis já existentes.

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Inspiração no “Domo de Ferro” de Israel

O nome “Domo de Ouro”, escolhido para o projeto americano, faz referência ao sistema de defesa israelense conhecido como “Domo de Ferro”, em operação desde 2011. Esse sistema tem sido fundamental para a neutralização de milhares de foguetes lançados contra o território de Israel. Segundo a empresa de defesa Rafael, que participou do desenvolvimento, a taxa de interceptação do “Domo de Ferro” gira em torno de 90%.

Israel começou a desenvolver o sistema após a guerra contra o Hezbollah, em 2006. Posteriormente, os Estados Unidos contribuíram com apoio técnico especializado e bilhões de dólares em financiamento para viabilizar sua implantação.