Departamento do governo Trump é acusado de ecoar slogan nazista em post oficial

Publicação do Departamento do Trabalho gerou críticas por linguagem associada ao extremismo e reforçou denúncias de uso político de símbolos nacionalistas na comunicação institucional

Marina Verenicz

Presidente dos EUA, Donald Trump, participa da entrega da Medalha de Defesa da Fronteira Mexicana no Gabinete Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA, 15 de dezembro de 2025. REUTERS/Evelyn Hockstein
Presidente dos EUA, Donald Trump, participa da entrega da Medalha de Defesa da Fronteira Mexicana no Gabinete Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA, 15 de dezembro de 2025. REUTERS/Evelyn Hockstein

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O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, entrou no centro de uma nova controvérsia ao publicar, no fim de semana, uma mensagem nas redes sociais que foi amplamente comparada a slogans da propaganda nazista.

A postagem, feita no sábado (10), trazia a frase “Uma pátria. Um povo. Uma herança. Lembre-se de quem você é, americano”, acompanhada por um vídeo com imagens de guerras envolvendo os EUA e a estátua de George Washington.

A reação foi imediata. Usuários e analistas apontaram semelhanças com o lema “Ein Volk, ein Reich, ein Führer” (“Um povo, um império, um líder”), utilizado pelo regime de Adolf Hitler para promover a ideia de unidade nacional associada à supremacia racial.

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Nas redes, críticos afirmaram que a escolha da linguagem carrega um histórico associado à violência e ao autoritarismo, enquanto defensores do governo classificaram as acusações como exageradas.

O episódio se soma a uma sequência de publicações feitas por órgãos federais que abandonaram o tom institucional tradicional e passaram a adotar mensagens com forte carga nacionalista.

O próprio Departamento do Trabalho tem reforçado, em suas comunicações, a ideia de priorização de americanos nascidos nos EUA. Em dezembro, o perfil oficial divulgou repetidas vezes a tese de que todo o crescimento líquido de empregos no primeiro ano do segundo mandato de Trump teria beneficiado exclusivamente cidadãos nativos — afirmação considerada enganosa por especialistas em mercado de trabalho.

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Além disso, a pasta compartilhou conteúdos de veículos alinhados ao discurso anti-imigração, sugerindo que estrangeiros estariam perdendo espaço no mercado formal. A narrativa sustenta a agenda do governo de restringir a presença de imigrantes na economia, inclusive por meio de medidas para limitar a concessão de vistos H-1B, usados por profissionais altamente qualificados em áreas onde há escassez de mão de obra local.

Outras mensagens também chamaram atenção por associações simbólicas. Na semana passada, o Departamento do Trabalho publicou uma versão antiga da bandeira dos Estados Unidos, conhecida como Betsy Ross, símbolo que tem sido apropriado por grupos de extrema-direita como representação de uma “América original”. A legenda reforçava o slogan “América em primeiro lugar”, marca central do trumpismo.

O uso de linguagem e imagens associadas ao nacionalismo branco não se restringe a essa pasta. Um relatório do Southern Poverty Law Center apontou que materiais de recrutamento do Departamento de Segurança Interna utilizam slogans e iconografia comuns a grupos extremistas, além de retratarem quase exclusivamente pessoas brancas como agentes do Estado, enquanto negros e latinos aparecem majoritariamente como suspeitos de crimes migratórios.

Procurada após a repercussão negativa, uma porta-voz do Departamento do Trabalho afirmou que classificar mensagens patrióticas como propaganda nazista seria uma reação exagerada.

Ainda assim, a publicação segue sendo citada por organizações de direitos civis e analistas como exemplo do endurecimento do discurso oficial e da politização extrema da comunicação institucional nos Estados Unidos.