Departamento do governo Trump é acusado de ecoar slogan nazista em post oficial

Publicação do Departamento do Trabalho gerou críticas por linguagem associada ao extremismo e reforçou denúncias de uso político de símbolos nacionalistas na comunicação institucional

Marina Verenicz

(Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)
(Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)

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O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, entrou no centro de uma nova controvérsia ao publicar, no fim de semana, uma mensagem nas redes sociais que foi amplamente comparada a slogans da propaganda nazista.

A postagem, feita no sábado (10), trazia a frase “Uma pátria. Um povo. Uma herança. Lembre-se de quem você é, americano”, acompanhada por um vídeo com imagens de guerras envolvendo os EUA e a estátua de George Washington.

A reação foi imediata. Usuários e analistas apontaram semelhanças com o lema “Ein Volk, ein Reich, ein Führer” (“Um povo, um império, um líder”), utilizado pelo regime de Adolf Hitler para promover a ideia de unidade nacional associada à supremacia racial.

Nas redes, críticos afirmaram que a escolha da linguagem carrega um histórico associado à violência e ao autoritarismo, enquanto defensores do governo classificaram as acusações como exageradas.

O episódio se soma a uma sequência de publicações feitas por órgãos federais que abandonaram o tom institucional tradicional e passaram a adotar mensagens com forte carga nacionalista.

O próprio Departamento do Trabalho tem reforçado, em suas comunicações, a ideia de priorização de americanos nascidos nos EUA. Em dezembro, o perfil oficial divulgou repetidas vezes a tese de que todo o crescimento líquido de empregos no primeiro ano do segundo mandato de Trump teria beneficiado exclusivamente cidadãos nativos — afirmação considerada enganosa por especialistas em mercado de trabalho.

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Além disso, a pasta compartilhou conteúdos de veículos alinhados ao discurso anti-imigração, sugerindo que estrangeiros estariam perdendo espaço no mercado formal. A narrativa sustenta a agenda do governo de restringir a presença de imigrantes na economia, inclusive por meio de medidas para limitar a concessão de vistos H-1B, usados por profissionais altamente qualificados em áreas onde há escassez de mão de obra local.

Outras mensagens também chamaram atenção por associações simbólicas. Na semana passada, o Departamento do Trabalho publicou uma versão antiga da bandeira dos Estados Unidos, conhecida como Betsy Ross, símbolo que tem sido apropriado por grupos de extrema-direita como representação de uma “América original”. A legenda reforçava o slogan “América em primeiro lugar”, marca central do trumpismo.

O uso de linguagem e imagens associadas ao nacionalismo branco não se restringe a essa pasta. Um relatório do Southern Poverty Law Center apontou que materiais de recrutamento do Departamento de Segurança Interna utilizam slogans e iconografia comuns a grupos extremistas, além de retratarem quase exclusivamente pessoas brancas como agentes do Estado, enquanto negros e latinos aparecem majoritariamente como suspeitos de crimes migratórios.

Procurada após a repercussão negativa, uma porta-voz do Departamento do Trabalho afirmou que classificar mensagens patrióticas como propaganda nazista seria uma reação exagerada.

Ainda assim, a publicação segue sendo citada por organizações de direitos civis e analistas como exemplo do endurecimento do discurso oficial e da politização extrema da comunicação institucional nos Estados Unidos.