“De todos ou de ninguém”: Irã ameaça portos do Golfo após EUA imporem bloqueio

Bloqueio dos EUA deve ter início às 11h de hoje após negociações no Paquistão terminarem sem acordo no domingo

Equipe InfoMoney

Navios de carga no Golfo, perto do Estreito de Ormuz, vistos do norte de Ras al-Khaimah, próximo à fronteira com a região administrativa de Musandam, em Omã, em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã, nos Emirados Árabes Unidos, 11 de março de 2026. REUTERS/Stringer/Foto de Arquivo/Foto de Arquivo
Navios de carga no Golfo, perto do Estreito de Ormuz, vistos do norte de Ras al-Khaimah, próximo à fronteira com a região administrativa de Musandam, em Omã, em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã, nos Emirados Árabes Unidos, 11 de março de 2026. REUTERS/Stringer/Foto de Arquivo/Foto de Arquivo

Publicidade

O Irã ameaçou atacar todos os portos do Golfo Pérsico se suas próprias instalações forem alvo das forças americanas, intensificando a escalada após os Estados Unidos anunciarem a implementação de um bloqueio marítimo aos portos iranianos. O petróleo Brent subia 7%, para US$ 102 o barril nesta manhã.

“A segurança dos portos na região é de todos ou de ninguém”, disse o comando das Forças Armadas iranianas em comunicado divulgado pela mídia estatal. Teerã classificou a ação americana como “um ato de pirataria” e reiterou a intenção de manter controle permanente sobre o Estreito de Ormuz mesmo após o fim da guerra. A Guarda Revolucionária iraniana advertiu que qualquer navio militar que se aproxime do estreito “sob qualquer pretexto” será tratado como violação do cessar-fogo.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que liderou a delegação de Teerã nas negociações do fim de semana em Islamabade, foi direto ao responder a Trump: “Se você lutar, nós lutaremos.”

Continua depois da publicidade

O bloqueio foi anunciado por Trump na noite de domingo após o fracasso das conversas no Paquistão, que terminaram sem acordo por divergências sobre o programa nuclear iraniano. “Qualquer iraniano que atirar em nós, ou em embarcações pacíficas, será DESTRUÍDO!”, disse o presidente americano. O Comando Central dos EUA confirmou que o bloqueio, em vigor a partir das 11h (horário de Brasília) desta segunda, será aplicado de forma imparcial contra embarcações de todas as nações que entrem ou saiam de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo todos os portos no Golfo Árabe e no Golfo de Omã.

A medida não se aplica a navios que transitam pelo Estreito de Ormuz em direção a portos não-iranianos.

Negociações fracassadas

Trump disse a jornalistas no domingo que não se importava se o Irã voltaria ou não à mesa de negociações. Apesar disso, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, afirmou que os dois lados chegaram a entendimentos em vários pontos, mas que divergências persistiram em “dois ou três temas centrais”. “Era natural que não se esperasse chegar a um acordo em uma única sessão”, disse em entrevista à televisão estatal. “A diplomacia nunca acaba”, acrescentou.

O novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, sinalizou em publicação no Telegram que o país “certamente levará a gestão do Estreito de Ormuz a um novo estágio”, reiterando ainda a exigência de reparações de guerra, condição considerada inviável pelos negociadores americanos.

O bloqueio pode ter impacto direto sobre a China, principal compradora do petróleo iraniano. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, disse que a medida ameaça o comércio global e pediu que ambos os lados “permaneçam calmos e ajam com contenção”.

O porta-voz do presidente iraniano, Ghalibaf, foi além ao comentar o impacto nos preços dos combustíveis americanos, já inflados pela guerra: “Aproveitem os preços atuais nos postos. Com o chamado ‘bloqueio’, em breve vocês vão sentir saudades de US$ 4 ou US$ 5 por galão.”

Continua depois da publicidade

O cessar-fogo de duas semanas, anunciado em 7 de abril, expira em 22 de abril, caso não entre em colapso antes disso. Desde o início da trégua, apenas cerca de 40 navios comerciais cruzaram o Estreito de Ormuz, contra uma média de 135 embarcações diárias em tempos de paz.

(com Reuters e BBC)