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O presidente francês Emmanuel Macron atacou a estratégia comercial do presidente Donald Trump, argumentando que a Europa precisa desenvolver mais soberania para evitar “vassalização e política de sangue”.
Ele criticou a concorrência dos EUA “por meio de acordos comerciais que prejudicam nossos interesses de exportação, exigem concessões máximas e têm como objetivo declarado enfraquecer e subordinar a Europa”.
Isso vem “combinado com uma acumulação interminável de novas tarifas que são fundamentalmente inaceitáveis”, disse Macron em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos.
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Nos últimos dias, Trump fez uma série de ameaças a seus aliados europeus, afirmando que os EUA imporão medidas comerciais danosas a países que não apoiarem sua tentativa de anexar a Groenlândia, além de tarifas pesadas sobre o vinho francês devido à recusa de Macron em aderir à sua mais recente iniciativa de paz.
Trump alfinetou Macron nesta semana por não entrar em seu chamado “Conselho da Paz” e ameaçou uma tarifa de 200% sobre o vinho francês. Ele também publicou nas redes sociais um texto de Macron — endereçado a “Meu amigo” — em que o francês o convidava para jantar em Paris e se reunir com líderes da Ucrânia, Síria, Dinamarca e Rússia na quinta-feira.
No fim de semana, o presidente americano anunciou uma tarifa de 10% sobre produtos de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro, que subiria para 25% em junho, a menos que haja um acordo para a “compra da Groenlândia”. Trump fez a ameaça depois de os aliados declararem que realizariam exercícios de planejamento militar simbólicos da Otan no território semiautônomo dinamarquês.
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Como resultado das ameaças de Trump, a União Europeia suspendeu na prática a ratificação do acordo comercial fechado com os EUA no verão passado. Esse pacto, criticado na Europa como injusto, previa que o bloco removeria quase todas as tarifas sobre produtos americanos, enquanto aceitava uma tarifa de 15% sobre a maioria de suas exportações para os EUA e de 50% sobre aço e alumínio.
Macron alertou que as políticas comerciais de Trump estão minando os interesses de exportação europeus e “exigindo concessões máximas”. Ele pediu que os europeus não aceitem uma “abordagem neocolonial”.
O presidente francês também fez algumas indiretas a Trump, começando o discurso dizendo que “vivemos um momento de paz, estabilidade e previsibilidade”, o que arrancou risadas da plateia.
A UE também estuda impor tarifas sobre € 93 bilhões (US$ 108 bilhões) em bens americanos se Trump cumprir as ameaças. As medidas poderiam entrar em vigor já em 7 de fevereiro e atingiriam bens industriais dos EUA, incluindo aviões da Boeing, carros americanos e bourbon.
“Não há motivo para a UE ter um medo enorme das ameaças tarifárias dos EUA”, disse Agathe Desmarais, pesquisadora sênior do think tank ECFR, em nota enviada por e-mail. “As tarifas são um imposto sobre empresas e consumidores americanos: importadores nos EUA, e não exportadores de fora do país, absorvem 96% dos custos tarifários.”
Macron defendeu que a UE use seu chamado Instrumento Anti-Coerção (ACI, na sigla em inglês), uma ferramenta que dá poder às autoridades para restringir o acesso ao mercado europeu. O ACI, que nunca foi usado, foi criado principalmente como instrumento de dissuasão e, se necessário, de resposta a ações coercitivas deliberadas de países que utilizam medidas comerciais para pressionar as escolhas de política da UE ou de seus membros.
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As medidas possíveis pelo ACI incluem tarifas, novos tributos sobre empresas de tecnologia ou restrições específicas a investimentos na UE. Elas também podem envolver limitar o acesso a determinados segmentos do mercado europeu ou restringir que empresas participem de licitações públicas na região.
O que diz a Bloomberg Economics
“As tarifas de Trump — incluindo as já em vigor e o adicional de 10% — podem reduzir em até 50% as exportações dos países-alvo para os EUA.”
— Nicole Gorton-Caratelli, Antonio Barroso e Maeva Cousin.
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Líderes europeus planejam uma reunião de emergência na quinta-feira para discutir a resposta às ameaças de Trump.
No discurso, Macron também apresentou uma alternativa à tentativa de Trump de revirar o sistema internacional de geopolítica. “Não aceitemos uma ordem global que será decidida por aqueles que alegam ter a voz mais alta ou o porrete mais pesado”, afirmou.
“Nós preferimos respeito a valentões; preferimos a ciência ao relativismo; e preferimos o Estado de Direito à brutalidade”, disse Macron. “Vocês são bem-vindos na Europa, e são mais do que bem-vindos na França.”
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