Cuba vai libertar mais de dois mil presos em meio a crescente pressão dos EUA

Cuba libertará 2.010 presos em meio a crescente pressão dos EUA

Reuters

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(Reuters) – Cuba disse ⁠na noite de quinta-feira que libertará mais de 2.000 ⁠detentos, na segunda vez no ano que o governo comunista anuncia um ‌indulto em meio a conversas com a administração do presidente dos EUA, Donald Trump.

O jornal estatal cubano Granma chamou a medida de ‘gesto humanitário e soberano’.

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O governo ‌cubano tem rejeitado consistentemente qualquer sugestão de que toma decisões sob pressão dos EUA. O momento do anúncio de quinta-feira, no entanto, coincide com a campanha de pressão mais intensa aplicada por Washington em décadas.

O Departamento de Estado dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

A decisão de libertar 2.010 detentos ‘resultou de uma ⁠análise ‌cuidadosa dos crimes cometidos pelos condenados, sua boa conduta na prisão, o fato ⁠de terem cumprido uma parte significativa de sua sentença e seu estado de saúde’, disse a mídia estatal.

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Várias categorias de criminosos, incluindo aqueles presos por assassinatos, crimes relacionados a medicamentos e pedofilia, foram excluídas do indulto, segundo o relatório. Também foram excluídos condenados por ‘crimes contra a autoridade’.

Não ficou claro quantos ​dos presos sujeitos à libertação após o anúncio de quinta-feira foram detidos por acusações relacionadas a protestos contra o governo. Muitos dissidentes e alguns manifestantes ​dos protestos de 11 de julho em toda a ilha foram libertados em acordos e indultos recentes anunciados pelo governo cubano.

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No passado, presos foram libertados para suas famílias com pouco alarde e eram reticentes em falar com a imprensa. O governo cubano não costuma publicar listas dos que serão libertados.

O anúncio de ‌anistia de quinta-feira, o maior em anos, ocorre um ​dia depois que o principal diplomata de Cuba em Washington convidou publicamente o governo dos EUA a ajudar a reformar a economia debilitada de Cuba como parte das negociações em andamento.

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No início ⁠de março, Cuba libertou 51 ​presos em um acordo ​com o Vaticano. Nem as negociações com o Vaticano nem com os EUA foram mencionadas pela mídia ⁠estatal cubana que delineou o anúncio da noite ​de quinta-feira.

Grupos de direitos humanos — alguns financiados pelo governo dos EUA — afirmam que o governo comunista da ilha está mantendo centenas de presos políticos, com estimativas variadas. Na quinta-feira, ​vários desses grupos divulgaram declarações dizendo que estariam acompanhando de perto as próximas etapas.

‘O processo deve ser ágil, transparente e deve incluir a ​totalidade dos prisioneiros políticos’, ⁠disse o Observatório Cubano de Direitos Humanos, um grupo com sede em Madri que recebeu financiamento dos EUA.

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Cuba ⁠tem negado repetidamente que mantenha presos políticos. As autoridades da ilha dizem que os presos durante os protestos contra o governo foram considerados culpados de crimes como desordem pública, resistência à prisão, roubo e vandalismo.

Cuba culpa os EUA por financiar a agitação e incentivar sua disseminação, parte de um plano mais amplo para derrubar o governo da ​ilha.