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O primeiro-ministro de Cuba apresentou nesta quinta-feira a parlamentares medidas abrangentes, apoiadas pelo Partido Comunista e pelo ex-líder Raúl Castro, propondo a privatização de uma vasta parcela de sua economia socialista, em uma tentativa de sobreviver às severas sanções dos Estados Unidos.
As medidas, se aprovadas pelos parlamentares e implementadas, devem representar a maior mudança isolada no modelo socialista de Cuba desde a revolução de 1959 liderada pelo ex-líder Fidel Castro e uma guinada em direção a uma economia de mercado.
Apresentadas pelo primeiro-ministro Manuel Marrero, as reformas abririam as portas para o desenvolvimento imobiliário privado na ilha caribenha, transformariam empresas estatais em empreendimentos comerciais privados com ações e participações acionárias e permitiriam que bancos privados entrassem no setor financeiro cubano, outrora dominado pelo Estado.
As medidas também reduziriam significativamente a burocracia para as empresas privadas e os empreendedores da ilha.
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel disse ao Politburo do Partido Comunista que as medidas são urgentes e necessárias, em meio à intensificação das sanções dos EUA destinadas a paralisar a liderança comunista do país.

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“Precisamos liberar a produção, para aumentar a oferta e reduzir as restrições”, disse Díaz-Canel em um discurso transmitido na manhã desta quinta-feira.
A lista de 175 medidas apresentada pelo primeiro-ministro em um discurso de quase duas horas a parlamentares agora requer votação da Assembleia Nacional para ser implementada.
O sistema de partido único, dirigido pelos comunistas, costuma votar por unanimidade as propostas do governo.
Dirigentes do partido classificaram as reformas como abrangentes, mas ainda fiéis às raízes socialistas do governo.
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Muitas dessas propostas, em discussão há meses ou anos sem terem sido implementadas, voltaram ao centro do debate em meio à pressão dos Estados Unidos.
Indiciado em maio nos Estados Unidos por acusações de homicídio, Raúl Castro apoiou as propostas em uma carta apresentada ao Politburo na quarta-feira, classificando-as como “benéficas” e instando à sua rápida implementação.
As sanções do governo Trump devastaram a economia cubana já em dificuldades, impedindo que o petróleo chegasse à ilha, forçando um êxodo de empresas estrangeiras e dizimando a importantíssima indústria do turismo com apagões que duram dias, inflação galopante e escassez de combustível, água e medicamentos.
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