Crise no Peru: ministros acusam presidente de mentir sobre compra de caças F-16

Ministros renunciam após afirmarem que o Exército assinou um acordo de US$ 3,5 bilhões com a Lockheed Martin, apesar da resistência pública do presidente interino José María Balcázar

Bloomberg

REUTERS/Sebastian Castaneda/File Photo
REUTERS/Sebastian Castaneda/File Photo

Publicidade

Os ministros da Defesa e das Relações Exteriores do Peru renunciaram, alegando que o presidente interino José María Balcázar enganou o país sobre um acordo de compra de caças que, segundo eles, foi assinado apesar das negativas do mandatário.

O acordo de US$ 3,5 bilhões para a compra de 24 caças F-16 da Lockheed Martin estava previsto para ser assinado na sexta-feira. Balcázar o cancelou na última hora, afirmando que o próximo presidente eleito do país é quem deveria decidir sobre o tema. No entanto, duas altas autoridades agora afirmam que o contrato foi assinado pelos militares na segunda-feira.

“Balcázar mentiu ao país, ele sabia que dois contratos foram assinados na segunda-feira” para comprar os caças, disse o chanceler demissionário Hugo de Zela, em entrevista à rádio RPP nesta quarta-feira.

Continua depois da publicidade

As declarações aumentam a pressão sobre Balcázar, um líder interino de 83 anos, de um partido de extrema esquerda, que tem resistido a apoiar a compra apesar da insistência de Washington e das Forças Armadas peruanas. Os militares veem a nova frota não apenas como reforço de poder de fogo, mas também como uma forma de obter, ainda que implicitamente, respaldo dos Estados Unidos. Balcázar tomou posse em fevereiro e seu mandato vai apenas até julho.

“Uma decisão estratégica foi tomada em um tema de segurança nacional sobre o qual mantenho divergências significativas”, afirmou o ministro da Defesa Carlos Díaz Dañino em sua carta de renúncia, referindo-se aos caças.

Balcázar declarou que qualquer decisão de assinar o acordo para os caças sem sua aprovação seria irregular. O presidente e o Ministério da Economia ainda controlam a liberação de qualquer recurso para a compra, segundo Luis Miguel Castilla, ex-ministro da Economia e ex-embaixador do Peru nos EUA.

“No fim das contas, o presidente tem o poder político de autorizar ou não e de optar por não emitir um decreto” que viabilize o pagamento, disse Castilla em entrevista.

Essa decisão pode sair em breve, já que um pagamento inicial já venceu, de acordo com De Zela.

“Hoje é um dia decisivo porque o contrato estabelece que hoje é o prazo final para fazer o primeiro pagamento”, afirmou o ex-chanceler na entrevista à rádio.

Continua depois da publicidade

O Peru está no meio de eleições gerais, com a conservadora Keiko Fujimori preparada para disputar o segundo turno, em junho, contra o esquerdista Roberto Sánchez ou o ex-prefeito de Lima Rafael López Aliaga. Tanto Fujimori quanto López Aliaga já declararam que o Peru deveria assinar o contrato com a Lockheed, enquanto Sánchez questiona por que o país precisa gastar bilhões em defesa em vez de investir em programas sociais.

© 2026 Bloomberg L.P.

Tópicos relacionados